quarta-feira, 16 de março de 2011

Algés 1939/1945

Este será um assunto que estará sempre aberto a novas actualizações, como tínhamos de começar por algum lado iniciaremos o registo fotográfico por 1941/1945, aparentemente já nessa altura existiam barracas, as dos trabalhadores das quintas em redor de Algés, quer em redor da praça de toiros quer na encosta do monte do Alto do Duque eram visíveis muitos casebres construídos em madeira e materiais diversos, eram tempos difíceis aqueles, a Europa estava a beira da destruição e tudo faltava, Lisboa estava inundada de refugiados e espiões e era talvez a mais movimentada Capital da Europa na altura.


A Ponte Velha de Algés


A estrada para a Quinta Miraflores no mesmo local em que esta hoje em dia a CRIL, pode ver-se claramente a área ocupada pela actual Miraflores, que era na altura área de cultivo de cereais

a Vila Castanheira que viria a ser destruída quando da construção da Rotunda de Algés

Barracas na encosta do Alto do Duque


encosta do Alto do Duque


as barracas do Bairro de Santas Martas que existiu até á poucos anos passando pelas mãos de Portugueses, ciganos e depois do 25 de Abril 1974 africanos eram já um problema, o Bairro estendia-se já nesta altura desde perto da Praça de Toiros até onde é hoje o Quartel dos Bombeiros, foi mesmo alvo de intervenção estatal com vista á sua demolição nos anos de 1950 com a criação de uma fundação de apoio Social no Bairro, aparentemente apenas os interesses imobiliários e o preço dos terrenos fez alterar o estado de coisas

A estrada para a Quinta Miraflores


o local ocupado actualmente pela Rotunda da praça de Algés

A ponte velha

Estrada para a Praça de Touros e estrada da Circunvalação

Estrada para a Praça de Touros



pormenor das habitações  junto á Praça de Touros

Panorâmica de Algés, à direita o Palácio Anjos 1941

Panorâmica de Algés, à direita a Praça de Touros 1941

Panorâmica da Serra de Monsanto, estrada da Circunvalação, de notar a ausência de pinheiros que só forem plantados anos mais tarde

O mais antigo documento conhecido em que é mencionada a localidade de Algés

O documento existente no Arquivo Municipal de Lisboa data de 1385 é o mais antigo documento que encontrei depois de pesquisar tudo o que era Arquivos historicos on line, em que é mencionada a localidade de Algés, nessa altura chamada "Reguengo de Algés". O documento é um pergaminho e tem o nome de "Traslado em pública forma, elaborado por João Esteves, de uma carta de D. Fernandoe trata no seu conteúdo como o nome indica de um Traslado em pública forma elaborado pelo tabelião João Esteves, de uma carta de D. Fernando atavés da qual o rei regulamenta a prestação do serviço militar dos aquantiados que residiam nos reguengos de Oeiras e de Algés.   
O documento pode ser consultado no Arquivo Municipal de Lisboa em suporte digital (0045) com o código de referência PT/AMLSB/AL/CMLSB/ADMG-N/01/0020 .
E de facto uma verdadeira jóia da história do concelho aqui fica o registo fotográfico do pergaminho que até ver é o mais antigo sobre a Freguesia de Algés






terça-feira, 15 de março de 2011

As Portas de Algés e as Pontes sobre a Ria




Há 100 anos atrás, quando alguém chegava ao concelho de Lisboa encontrava uma cidade murada por perto de 20km de muralha. Para entrar na cidade havia "apenas" 26 portas. Cada uma delas funcionava como posto fiscal e delegação das alfândegas de Lisboa.
Em 1885 Lisboa sofreu nova reestruturação administrativa, desta feita com a inclusão no respectivo concelho de algumas das freguesias que em meados do século tinha perdido para Belém e Olivais. Nesse ano é definida nova circunvalação e após algumas hesitações legislativas a cidade cresce até aos limites actuais. É também nesse ano que começa a construção das várias portas e vários troços de muro.
Meio século passado, em 1922 os limites fiscais do concelho de Lisboa são abolidos pela lei nº 1368, esvaziando os edificios da sua função. O crescimento urbano destroi praticamente todas essas estruturas, restando apenas as Portas de Benfica, e pequenos troços de "muralha" nos locais mais inacessíveis.
As várias portas deviam ter tido construções e arquiteturas diversificadas, no entanto existiram mais duas com afinidades morfológicas com as de Benfica: as Portas de Algés e da Calçada de Carriche, hoje em dia complectamente demolidas.

antigo postal com as "Portas d'Algés" e o excerto do "Levantamento da Planta de Lisboa, 1904-1911"
com a localização da mesma (N38º 41,913 W009º 13,626 - mesmo debaixo do viaduto da CRIL)


Perto das Portas podem ver dentre outros o edificio do teatro da Malaposta. Curiosamente, esse edificio e o seu nome derivam da existência das portas da cidade. Neste local existiu a estação de muda - a Malaposta. As diligências que transportavam o correio paravam aqui para descanso do pessoal e muda dos animais que a puxavam. Os novos cavalos atrelados à diligência, por estarem folgados, garantiam a velocidade que se desejava, para uma comunicação rápida.


Restos da antiga muralha de Lisboa que ia até ás Portas de Algés de que infelizmente já não restam vestígios na Freguesia



Ponte Velha sobre a ribeira de Algés, antes desta ter sido encanada por baixo da actual Avenida dos Bombeiros Voluntários.
O edifício com ameias que se vê à direita é o Posto Fiscal






Lápide da Ponte Velha de Algés, lado sul

Lápide da Ponte Velha de Algés, lado Norte

As Portas de Algés vistas do lado de Lisboa

Vista do Posto da Guarda Fiscal
A ponte Velha


A ponte Nova



Saloio na ponte Nova de Algés
Ponte Velha de Algés 



A Ponte Velha de Algés -  Gravura de 1848


No início do ano de 1848, numa publicação periódica lisboeta, a «Revista
Popular», semanário de «Literatura e Indústria» que se fazia acompanhar
de «gravuras originaes em madeira executadas por artistas nacionais», foi
impressa a que reputamos ser a mais antiga representação da desaparecida
Ponte de Algés, construída em 1608.
A gravura, de um artista não identificado, possui indiscutível valor iconográfico
e documental. Com um traço vigoroso e razoável rigor representativo,
revelam-se as características construtivas da velha ponte, que possuía um
só arco, de volta perfeita, com o tabuleiro de circulação a acompanhar a sua
modelação e alçado marcado por pilaretes e pináculos, solução que emprestava
uma maior elegância formal ao conjunto. O enquadramento paisagístico,
próximo e longínquo, revela a vegetação que brotava junto à ribeira, o
muro delimitador e um renque de árvores da quinta dos duques de Cadaval,
na margem esquerda, e uma casa, em posição travessa, na margem direita,
e, servindo de ponto de fuga de toda a composição, dois moinhos nos cabeços
de Linda-a-Velha.
Para lá da realidade representada, de meados do século XIX, que não diferiria
muito da do tempo da fundação da ponte, a gravura encerra outras
dimensões. Evoca a memória histórica de uma época em que as ribeiras,
mais ou menos caudalosas, que rasgavam o território oeirense e juntavam
as suas águas às do Tejo começaram a deixar de ser obstáculos à circulação
de gentes e de mercadorias que «das partes de Cascais, Oeiras e outros lugares
» pretendiam ir à capital (Frei António da Piedade, Crónica da Província
de Santa Maria da Arrábida…, 1737) e evoca a acção determinante de um
frade de Santa Catarina de Ribamar, Frei Rodrigo de Deus, que obteve junto
da Câmara de Lisboa a autorização e os meios indispensáveis à construção
das três pontes que passaram a servir o então Reguengo de Algés (sobre as
ribeiras de Algés, Linda-a-Pastora e Laveiras). Evoca, por outro lado, uma
paisagem natural e construída há muito desaparecida, seja a que a gravura
reproduz, numa atmosfera vincadamente bucólica e pitoresca que sensibilizou
outros artistas, como o rei D. Carlos (desenho a carvão, de 1886, muito
pouco conhecido, da «Ponte de Algés»), seja a que, num registo histórico
evolutivo, emerge em inícios do século XX, em que junto à ponte, qual fronteira,
surgem as chamadas «Portas de Algés», de controlo alfandegário e
policial, um moinho «americano», outras duas pontes e construções urbanas
que o tempo também acabaria por consumir. Evoca, ainda, mil e uma estórias
e vivências, que aqui, necessariamente, ficam por contar.
Joaquim Boiça
joaquimboica@gmail.com

domingo, 13 de março de 2011

Praça de Touros de Algés (1895 - 1974)

[algés.jpg]
Caricatura de Rafael Bordalo Pinheiro in António Maria, nº 422, 30 de Maio de 1895, p64



Vae construir-se muito brevemente em Algés ao norte da estrada real uma nova praça de touros.
Consta-nos que será um vasto e bem construido circo. O seu custo está orçado em cinquenta contos de rèis.
A praça fica n’ un sitio magnifico de onde se disfructa um lindo panorama de terra e mar - muito accessivel e para onde ha transportes faceis, commodos e baratos. Por tudo isto será ella ‘preferida à do Campo Pequeno para onde os transportes são difficeis e caros. “
(1)

Em 5 de Outubro de 1893 era assim noticiada na imprensa regional ,a construção da Praça de Touros de Algés. Construída por um grupo de socios do Real Clube Tauromáquico é inaugurada a 23 de Maio de 1895 com capacidade para 7 500 espectadores.
Às vésperas da inauguração a Gazeta de Oeiras dava nota do seguinte comentário :

Trabalha-se activamente nas obras d’esta praça afim de se poder dar a 1ª corrida no dia 23 d’este mez.
O circo está elegantissimo. O seu risco é do distinto conductor o nosso illustre amigo o sr. Alfredo Bettencourt de Mello. É feito de cantaria e ferro tem 100 metros de raio e uma só ordem de camarotes. Circunda-o uma avenida de 20 metros de largura.
Na sua construção foram introduzidos todos os modernos aperfeiçoamentos.
O esplendido local onde está edificado, a facilidade de communicações para lá e os atractivos do mar e da campina são de certo mais que muitos para atornarem a primeira praça de touros do paiz “
(2)

Após vários anos de abandono e degradação foi em 1974 demolida para supostamente dar lugar ao maior prédio do país, projecto que depois da demolição da Praça não foi aprovado pelo Municipio por se encontrar no espaço projectado para o viaduto da CRIL, a area é hoje um parque de estacionamento, perdeu se assim um edificio emblemático de Algés
O que resta do esplendor e ruina somente as fontes históricas nos deixam vislumbrar em pormenor.

consulte a fotografia aérea do local .... carregue AQUI
A Praça de Touros Algés em 1939






A demoloção em 1974

(1) A Gazeta de Oeiras, nº28 , de 5 Novembro de 1893
(2) A Gazeta de Oeiras , nº 107 de 12 de Maio de 1895