terça-feira, 13 de março de 2012

Miraflores e vale de Algés do pré projecto ao inicio das vendas 1957/1973

Vale de Algés  -- Projecto Valorização paisagística -- 1959

Publicamos hoje um documento de muito relevo para a história da nossa localidade, para mim uma verdadeira pérola uma vez que nos dá indicações claras do que era pretendido com este projecto pioneiro para aqueles tempos, aparentemente para existir este projecto em 1959, já antes ele teria de ter sido idealizado dando nos então espaço para pensar que terá sido iniciado pelo menos um par de anos antes. Estaríamos portanto em fase de pré projecto final á data deste documento, a sebenta da qual seriam retiradas as directivas para o desenvolvimento do projecto.
 Como podem reparar utilizando as legendas na fig 1 do projecto a ideia seria, que, cada área residencial fosse acompanhada por uma área verde de proporções idênticas, havendo pólos centrais de equipamentos escolares, sociais e comerciais mais propriamente :
2 escolas (que existem)
3 pólos cívico/comerciais (hoje em dia o comercio em vez de concentrado em grupos de comercio esta espalhado pela localidade, de centros cívico/culturais zero, nem uma miragem deles)

Pela analise do projecto verifica se nitidamente que estaria nos pensamentos do Sr Joaquin Peña Mechó uma  luxuriante localidade, perfecionista e futurista em todos os sentidos, a relativamente baixa densidade populacional e a construção em altura, aliada a áreas verdes na mesma proporção da área construída, iria criar uma extensão natural da floresta de Monsanto, uma mistura de ar do campo com ar do mar, todos os dias renovada por milhares de árvores.
 é triste saber que o que se pensava para Miraflores era isto e o que temos é algo completamente diferente.
Temos hoje em dia uma densidade populacional desmedida e com projectos aprovados (que irão aumentar em muito esses números), um transito caótico e uma total inesistência de equipamentos cívico/sociais, o que sustenta ainda a boa qualidade de vida e do ar em Miraflores e o que vai amparando os golpes aos consecutivos Presidentes de Junta e Câmara é que ficou ainda o cunho pessoal de Sr Joaquin Peña Mechó e Gonçalo Ribeiro Teles, e os restos de um projecto com visão futurista do que deveriam ser as cidades do futuro que ficou inacabado, interrompido abruptamente pela Abrilada de 74... o verde que sobrou e o ar que se respira são bem exemplos disso.



sem mais demora vos deixo então com o referido documento  que foi para isso que aqui viemos



VALE DE ALGÉS, 1959
GONÇALO RIBEIRO TELES ; FOTOGRAFIA DE MANUEL SILVEIRA RAMOS


AUTOR:
Teles, Gonçalo Ribeiro

PARTE DE:
Do Estádio Nacional ao Jardim Gulbenkian : Francisco Caldeira Cabral e a primeira geração de arquitectos paisagistas, 1940-1970 / inventário realizado por Teresa Andresen, Teresa Bettencourt da Câmara e Luís Guedes de Carvalho 2002-2003

CONTÉM:
Fig 1 Reprodução de: Planta de zonamento, s.d. 1:2000; 0,75 x 0,99 cm; suporte vegetal. CFT169.542
Fig 2 Reprodução de: Planta de zonamento, s.d. 1:2000; 1,34 x 1,00 cm; suporte vegetal. CFT169.543

ASSUNTO:
Vale de Algés (Oeiras, Portugal) -- Valorização paisagística -- 1959



fig 1 -  na figura Linhas verticais » pólo escolar, linhas horizontais » pólos Cívico/comerciais, área a branco assinaladas com letras » área habitacional, ponteado » área verde




Queria deixar aqui também referencia á exposição de lançamento do projecto Miraflores Lux em 1960, aparentemente naquele tempo desde o ante projecto ate á apresentação da maquete levava-se uma ano uma vez que o documento anterior esta datado de 1959. Quero referir aqui o que salta aos olhos quando vimos estes documentos e a maquete do projecto Miraflores Lux, a densidade populacional era muito menor e as areas verdes mais numerosas do que actualmente (estamos a falar da área desde a rotunda da praça de Algés até Linda a Velha e pela área que esta ainda por construir junto ao antigo bairro dos Húngaros e acima da ribeira de Algés junto a Miraflores).
Deixo vos então com a reportagem da exposição de lançamento do projecto e com a maquete do mesmo



para finalizar este artigo (que estará aberto a alterações) deixo aqui as fotografias da brochura de apresentação dos apartamentos Miraflores Lux quando do inicio da venda com data aparentemente de 1973 (a venda terá tido inicio em meados de 1971)
material gentilmente cedido pelo nosso amigo Miraflorense e colaborador Nuno Picardo




de notar nesta foto a piscina de Miraflores em fase de construção em 1973















note-se claramente nesta fotografia da altura a fase de construção de Miraflores Lux  com varios edificios em acabamento


de notar nesta foto publicitaria as obras no interior do restaurante e nos arredores da piscina, tiramos assim a conclusão de que primeiro se construiu a piscina e só depois as áreas de apoio

Edificios Tulipas junto ao Shopping Miraflores que na altura não existia senão em projecto


Edificios Compave em 1973

Depois veio o 25 de Abril de 1974 e... tudo mudou !!!

segunda-feira, 12 de março de 2012

Manuel Maria da Costa Veiga pioneiro do cinema Português




Manuel Maria da Costa Veiga inicia a sua actividade cinematográfica como exibidor de filmes estrangeiros em Lisboa. Embora residente em Algés, era uma típica figura da Capital na viragem do século XIX para o XX — dandy alto e espadaúdo, de farta mas cuidada barba à moda. Além do mais, era um curioso e especialista em mecânica e electricidade, o que lhe conferia uma aura de mágico, nesses tempos da iluminação a gaz.
Costa Veiga ajudou Edwin Rousby na primeira exibição em Portugal de imagens em movimento, que decorreu no Real Coliseu da Rua da Palma (hoje desaparecido, para dar lugar a caixotes pós-modernos); sessão essa que teve na assistência o Infante D. Afonso, irmão do Rei D. Carlos I, o que revela o empenho da Casa Real nas novidades científicas e artísticas que estavam a surgir, na Europa, na sequência da primeira apresentação pública — em Paris, a 28 de Dezembro de 1895 — de imagens captadas, reveladas e projectadas pelos irmãos Lumière, com a sua maravilhosa máquina Cinématographe.
A referida estreia lisboeta aconteceu em Junho de 1896 e nela foram projectadas fitas rodadas à volta do Mundo por operadores do pioneiro londrino Robert-William Paul. Foi um sucesso público, esta iniciativa do misterioso exibidor itinerante (húngaro ou americano, ninguém sabe) Edwin Rousby, «o electricista de Budapeste». Este, em Setembro, propicia nova sessão pública em Lisboa, agora com películas já filmadas no nosso País, pelo operador Harry Short, que Paul mandara para o sul da Europa à caça de imagens. A Cinemateca Portuguesa possui dois destes filmes: A Boca do Inferno e A Praia de Algés na Ocasião dos Banhos. Em Janeiro de 1897, Rousby parte definitivamente de Portugal, mas deixa em Lisboa a semente da cinefilia.
Depois deste flashback, para enquadramento histórico da aparição do Cinema («Animatógrafo», nas palavras de então) em Lisboa, vamos ao nosso pioneiro: Costa Veiga, após várias tentativas falhadas nesse sentido, conseguiu estabelecer-se como exibidor, inaugurando o Éden Concerto, aos Restauradores, e a Esplanada D. Luiz Filipe, em Cascais. Não tardou, no entanto, a dar o salto para a produção de filmes. Assim, aproveitando a estada sazonal do Rei D. Carlos em Cascais, no Verão de 1899, filma a Pessoa Real na praia, capta mais algumas vistas da então famosa estância balnear, e, finalmente, apresenta a sua primeira película:Aspectos da Praia de Cascais.
Foi o início de uma carreira de grande actividade como documentarista (palavra e conceito inexistentes à época, mas é disso que se trata), que atravessará toda a primeira década do século XX, registando os principais acontecimentos sociais e políticos, com a sua câmara inglesa Urban.
As vindas a Portugal de Chefes de Estado, e outras altas figuras, não lhe escaparam; e, temos, assim, a Série — interessante e fundamental para a compreensão da História da Europa — «Visitas a Lisboa»: Eduardo VII (1903), Afonso XIII (1903),Duques de Connaught (1903) Imperador da Alemanha Guilherme II (1905), Presidente de França Émile Loubet (1905), Rei de Saxe(1908).
Por este motivo, ficou conhecido por «Cineasta dos Reis», em oposição jocosa ao seu contemporâneo Aurélio da Paz dos Reis, «o Reis Cineasta», do Porto — primeiro português a dar à manivela uma câmara de filmar; e, revolucionário republicano, por sinal… Deste, falaremos noutro dia.
Entretanto, Costa Veiga fundou uma empresa produtora de Cinema — Portugal Filme —, continuando ainda a sua actividade profissional nos ramos da exibição e distribuição de fitas. Descobriu também, para o Cinema Português, Artur Costa de Macedo, que viria a ser um dos nossos melhores directores de fotografia, decisivo na Época de Ouro do Cinema Português (décadas de 1930 e 1940), e que trabalhava antes na garagem Auto-Palace, ao Rato.
Num tempo muito anterior ao advento da Televisão, era através do Cinema que os Estados comunicavam com os seus cidadãos e passavam para o exterior as imagens do País. Neste contexto, os filmes de Costa Veiga fizeram parte de uma grande e última ofensiva diplomática da Monarquia Portuguesa. A já referida Série «Visitas a Lisboa» foi distribuída por toda a Europa, com o apoio do Rei D. Carlos, mostrando Lisboa, como capital cosmopolita, acolhendo as principais figuras políticas do Mundo.
Note-se que os filmes, embora numa fase embrionária da Sétima Arte — em formato de curtas-metragens, a preto-e-branco, mudos —, eram um negócio rentável; e, Costa Veiga pôde enriquecer com a produção, distribuição e exibição de fitas, despertando, desta maneira, o apetite de muitos outros para esta indústria, os quais não tardaram a aparecer, em força, em Lisboa.
Sendo Costa Veiga «O Cineasta dos Reis», de facto, pode também dizer-se que a sua carreira sofre um grande abalo com o horrível Regicídio de 1 de Fevereiro de 1908 no Terreiro do Paço. Temos assim — simbolicamente — como uma das últimas obras do realizador: Os Funerais de S. M. El-Rei D. Carlos I e do Príncipe Real D. Luiz Filipe (1908).
Agora, depois de já passados cem anos sobre o cobarde crime do Terreiro do Paço, não será a hora de se desenterrarem e exibirem os filmes do pioneiro lisboeta de Algés — do Cinema Nacional — Manuel Maria da Costa Veiga?

Fotograma do filme A Praia de Algés por Ocasião dos Banhos, de Henry Short (1896)


sexta-feira, 9 de março de 2012

Praça de Touros de Algés (1895 - 1974)


Um dia as minhas navegações na internet levaram me a ler estas linhas de um livro de Alice Vieira, António Pedro Ferreira (que nem sabiam que a praça foi demolida em 1974 e não nos anos 60) que a seguir publico, a coisa mexeu tanto comigo que...nesse mesmo dia decidi que não iria deixar cair no esquecimento a Historia da Praça de Toiros de Algés

Esta Lisboa - Resultado da pesquisa de livros do Google

books.google.pt/books?isbn=9722108697...Alice Vieira, António Pedro Ferreira - 1993 - History - 200 páginas
Sabe-se, no entanto, da existência de outra praça de touros que, em meados ...construído à entrada de Algés. Mas este acabou por ser demolido em 1960, e até ...Não lhes chamavam assim, evidentemente, nem mereceram ficar na história...




“ Vae construir-se muito brevemente em Algés ao norte da estrada real uma nova praça de touros.
Consta-nos que será um vasto e bem construido circo. O seu custo está orçado em cinquenta contos de rèis.
A praça fica n’ un sitio magnifico de onde se disfructa um lindo panorama de terra e mar - muito accessivel e para onde ha transportes faceis, commodos e baratos. Por tudo isto será ella ‘preferida à do Campo Pequeno para onde os transportes são difficeis e caros. “(1)

Em 5 de Outubro de 1893 era assim noticiada na imprensa regional ,a construção da Praça de Touros de Algés. Construída por um grupo de socios do Real Clube Tauromáquico é inaugurada a 23 de Maio de 1895 com capacidade para 7 500 espectadores.

Às vésperas da inauguração a Gazeta de Oeiras dava nota do seguinte comentário :

“ Trabalha-se activamente nas obras d’esta praça afim de se poder dar a 1ª corrida no dia 23 d’este mez.
O circo está elegantissimo. O seu risco é do distinto conductor o nosso illustre amigo o sr. Alfredo Bettencourt de Mello. É feito de cantaria e ferro tem 100 metros de raio e uma só ordem de camarotes. Circunda-o uma avenida de 20 metros de largura.
Na sua construção foram introduzidos todos os modernos aperfeiçoamentos.
O esplendido local onde está edificado, a facilidade de communicações para lá e os atractivos do mar e da campina são de certo mais que muitos para atornarem a primeira praça de touros do paiz “(2)
Após vários anos de abandono e degradação foi em 1974 demolida. O que resta do esplendor e ruina somente as fontes históricas nos deixam vislumbrar em pormenor.



(1) A Gazeta de Oeiras, nº28 , de 5 Novembro de 1893
(2) A Gazeta de Oeiras , nº 107 de 12 de Maio de 1895


Caricatura de Rafael Bordalo Pinheiro in António Maria, nº 422, 30 de Maio de 1895, p64 


A historia da Praça de toiros de Algés por Manuel Andrade Guerra

A praça de toiros de Algés foi inaugurada em 1895 (3 anos depois da inauguração do Campo Pequeno), com o propósito de constituir uma alternativa à praça de Lisboa, objectivo nunca alcançado, embora se tratasse de um tauródromo com apreciável lotação (7500 espectadores), simples mas confortável, a que podia aceder-se por comboio, autocarro ou eléctrico e junto do qual estava periodicamente instalada uma animada feira.

Ali tourearam o mais importante matador do século XIX, Rafael Ortega "Guerrita", o inesquecível José Gomez Ortega "Gallito" e muitas outras Figuras do toureio a pé e a cavalo.
Em 1953, foi em Algés que o saudoso Manuel dos Santos (após a sua primeira retirada) iniciou o seu percurso empresarial. Montou magníficos carteis, mas os aficionados continuavam a preferir o Campo Pequeno e Manuel desistiu, até que em 1963 assumiu a gerência da Sociedade Campo Pequeno dando início a uma década fabulosa, os melhores anos da Monumental de Lisboa.

A mais importante efeméride, a que tive o privilégio de assistir ainda criança em 1957, foi a histórica actuação do Dr. Fernando Salgueiro, na célebre nocturna, que muitos consideram o modelo ideal do Toureio Equestre. A má gestão, em décadas anteriores, foi ditando o progressivo declínio da praça que, curiosamente, serviu de cenário a dois filmes - "A Severa" (Portugal) e a uma película policial - "Eddie em Lisboa" (França), protagonizada pelo então muito popular Eddie Constantine e estreada no Cinema Condes...
 Entretanto, Algés, assistiu à degradação da sua praça, praticamente inactiva desde 1960, embora ali se tenham realizado alguns espectáculos sem continuidade. Décadas mais tarde, ocorreu a inevitável demolição.


O filme de Eddie Constantine  "Mission Lisboa" filmado em parte na praça de toiros de Algés em  1959




partilhamos aqui tambem e para possam sentir melhor como eram as corridas nesta em tempos gloriosa praça de toiros, um excerto do filme  «A SEVERA» onde aparece a praça de Algés


«A SEVERA» - parte 7 




no Blog Oeiras local encontrei este interessante artigo de Clotilde Moreira que aqui transcrevo

A PRAÇA DE TOUROS
Uma História, lembranças e fantasia

Nos fins do século XIX foi construída a Praça de Touros de Algés, pelo clube Tauromáquico e as touradas tinham uma fama espantosa. Muitos foram os artistas de renome incluindo Manuel Casimiro conforme se lê nas Memórias da Linha de Cascais.

Quando comecei a ter atenção a esta Terra, a Praça estava velha e abandonada e, já não sei quando, foi deitada abaixo. Mas lembro-me de se falar que iam fazer um grande, grande prédio coisa para mais de vinte andares. Logo muitos mostravam estranheza que isso fosse possível pois, diziam que a ribeira que por ali passava tal não permitia. E dissertavam sobre leitos de cheia, fundações, ribeiras tapadas indevidamente. Eles falavam e eu ia ouvindo e aprendendo.



Ultimamente lá esteve o terreno abandonado, cheio de carros e lixo com uma rede à volta. Parece que tentaram levar o dono a dar-lhe um ar mais aprazível dado tratar-se de uma entrada não só de Algés, mas de todo o Município. Até parece que foi redigido um “protocolo” pela Câmara: mas nada, o abandono continuou.

Porém, parece que já encontraram uma solução: não entrando no terreno que é particular, mas na linha periférica envolvente que é área pública, foi colocada uma rede metálica que irá ser rematada com “muro” de plantas e – parece – com cartazes.

Vamos lá a ter esperança e fazer votos para que aquele sítio fique mais atraente; depois informo para virem cá ver.

Apenas uma pergunta: mesmo sendo terreno privado, mesmo não conseguindo fazer um grande negócio para que estava perspectivado, o particular não devia ter a obrigação de manter o terreno limpo e aprazível? Esta pergunta estende-se a todos os terrenos, prédios etc. que estão abandonados.



Ilustração Portuguesa N.º 430 1914

Ilustração Portuguesa N.º 745 19201

Ilustração Portuguesa N.º 868 1922 


Depois da pesquisa que fiz descobri que também havia fados e guitarradas regularmente na Praça de Algés, tendo até nomes ilustres do nosso Fado vindo tocar a Algés, aqui partilho convosco então o material que encontrei no Museu do Fado

Praça de Toiros de Algés, 1939


Canção do Sul, 1 de Agosto, 1936, p. 1




Réplica de programas de mão de touradas em Algés , 1917






1938 ASPECTO DA ASSISTÊNCIA À CORRIDA DE TOUROS EM ALGÉS, A FAVOR DO FUNDO DE ACÇÃO SOCIAL DA BRIGADA AUTOMÓVEL DA LEGIÃO PORTUGUESA.









curiosa fotografia sem data de um jogo de basquetebol ao lado da praça de Algés, provavelmente durante a feira que ali se realizava regularmente





localização da antiga praça de toiros de Algés


os meus agradecimentos sinceros á ajuda dada pelos membros da pagina do facebook Frente de Acção pró Taurina e ao Sr Manuel Andrade Guerra pelo seu excelente texto

quinta-feira, 8 de março de 2012

A origem dos nomes : Algés e Alcântara




Acontece que não é conhecida a origem, e o respectivo significado, do locativo Alge. A existência de uma antiga ponte que ligava as duas margens da ribeira, deu azo a que considerasse aquele Alge como origem árabe. Para melhor se entender esta minha opinião, permita-se-me que transcreva para aqui um ensaio acerca das pontes de Alges e Alcântara, actualmente pertença dos concelhos de Oeiras e Lisboa, respectivamente.

"Antigo arrabalde lisboeta, a freguesia de Algés faz parte do concelho de Oeiras. Quanto à origem do seu nome existe a opinião do Dr. David Lopes que apontao árabe Aljiçç, significativo de “gesso” como o seu étimo". Acontece, porém, que segundo os geólogos, a pedra onde assenta a povoação de Alge é de natureza granítica, pelo que nele não existe a pedra de gesso.
O escritor Mário Sampaio de Ribeiro produziu o seguinte comentário acerca do gesso de Algés: “
Para ensaboarem a cabeça aos árabes e o juízo aos leigos,como eu, foram chamar Algés (gipso), a um lugar onde, ainda hoje, o gesso só existe nas drogarias e nos estuques da casa”.

 A ORIGEM DOS NOMES : ALGE,ALGÉS, ALCÂNTARA

Convencido de que haveria aqui qualquer lapso, decidi, por minha conta e risco, examinar o topónimo
Algés.




Dois factos são relevantes : Algés cuja ribeira dispunha então de duas pontes e a ocidente de Algés existir antigamente uma outra importante Ribeira que nascendo em Belas, seguia pelas Portas de Benfica e pela actual Avenida de Ceuta,ia desaguar no rio Tejo. A pouca distância da sua foz, esta Ribeira era atravessada por uma ponte cuja geometria era arqueada. A este tipo de ponte arqueada davam os árabes o nome de qântara, um arabismo que iria originar o nome dado ao bairro (“Alcântara”).
Concluindo quanto venho de referir, quer o topónimode Algés quer no topónimo Alcântara,
têm a origemem palavras árabes que nomeiam os dois tipos de pontes, isto é, a ponte plana (jisr)
e a ponte arqueada (qântara). Logo tiramos a conclusão de que o nome Alge será uma corruptela do árabe "al jisr! a que corresponde o sentido de “passadiço” ou, o que é o mesmo, de "ponte plana"


à luz da minha óptica, tendo chegando a esta conclusão: O Dr. David Lopes equivocou-se, considerando o árabe “jiçç” significativo de “gesso” , em vez da palavra, igualmente árabe, “jisr” que nomeava a ponte que então ligava as margens da Ribeira de Algés. O plural da palavra árabe “jisr” é  jesur,
tendo sido com este arabismo que passou a chamar-se vila algarvia de Al-jezur,

Assim sendo a meu ver o nome Algés vem do Arabe Al jisr que significa ponte plana

quarta-feira, 7 de março de 2012

O túmulo romano de Linda-a-Velha





Escrever mais para quê Com um Texto destes esta tudo escrito nem vale a pena reescrever nem investigar mais, deixo-vos entao com as linhas do ilustre Jaime Casemiro sobre o misterioso túmulo romano de Linda-a-Velha.