Apedido de varios leitores da Gazeta apresentamos então este documento que junto com outros iram em breve fundamentar a revisão profunda que estou a efectuar na historiografia de Miraflores, este é um documento em bruto com diversas anotaçoes da autoria de Athouguia, Rui. 1917-2006, arquitecto, que ainda estou a ler e a retirar apontamentos e publico aqui para que todos possam fazer a vossa analise e dar a vossa opiniao, foram retiradas as folhas que nao apresentam dados e que separam as varias partes do documento.
Basicamente o documento trata de uma proposta para substituição dos lotes 334, 335 e 336, do parque residencial e turistico de Miraflores, por parte da empresa imobiliária Habitat e Contém correspondência, proposta e plantas.
Ora sem mais demoras aqui esta o documento que te origem em Arquivo Municipal de Lisboa / Rui Jervis Athouguia / Projectos de arquitectura habitacional.
domingo, 18 de março de 2012
terça-feira, 13 de março de 2012
Miraflores e vale de Algés do pré projecto ao inicio das vendas 1957/1973
Vale de Algés -- Projecto Valorização paisagística -- 1959
Publicamos hoje um documento de muito relevo para a história da nossa localidade, para mim uma verdadeira pérola uma vez que nos dá indicações claras do que era pretendido com este projecto pioneiro para aqueles tempos, aparentemente para existir este projecto em 1959, já antes ele teria de ter sido idealizado dando nos então espaço para pensar que terá sido iniciado pelo menos um par de anos antes. Estaríamos portanto em fase de pré projecto final á data deste documento, a sebenta da qual seriam retiradas as directivas para o desenvolvimento do projecto.
Publicamos hoje um documento de muito relevo para a história da nossa localidade, para mim uma verdadeira pérola uma vez que nos dá indicações claras do que era pretendido com este projecto pioneiro para aqueles tempos, aparentemente para existir este projecto em 1959, já antes ele teria de ter sido idealizado dando nos então espaço para pensar que terá sido iniciado pelo menos um par de anos antes. Estaríamos portanto em fase de pré projecto final á data deste documento, a sebenta da qual seriam retiradas as directivas para o desenvolvimento do projecto.
Como podem reparar utilizando as legendas na fig 1 do projecto a ideia seria, que, cada área residencial fosse acompanhada por uma área verde de proporções idênticas, havendo pólos centrais de equipamentos escolares, sociais e comerciais mais propriamente :
sem mais demora vos deixo então com o referido documento que foi para isso que aqui viemos
VALE DE ALGÉS, 1959
GONÇALO RIBEIRO TELES ; FOTOGRAFIA DE MANUEL SILVEIRA RAMOS
AUTOR:
Teles, Gonçalo Ribeiro
PARTE DE:
Do Estádio Nacional ao Jardim Gulbenkian : Francisco Caldeira Cabral e a primeira geração de arquitectos paisagistas, 1940-1970 / inventário realizado por Teresa Andresen, Teresa Bettencourt da Câmara e Luís Guedes de Carvalho 2002-2003
CONTÉM:
Fig 1 Reprodução de: Planta de zonamento, s.d. 1:2000; 0,75 x 0,99 cm; suporte vegetal. CFT169.542
Fig 2 Reprodução de: Planta de zonamento, s.d. 1:2000; 1,34 x 1,00 cm; suporte vegetal. CFT169.543
ASSUNTO:
Vale de Algés (Oeiras, Portugal) -- Valorização paisagística -- 1959
Queria deixar aqui também referencia á exposição de lançamento do projecto Miraflores Lux em 1960, aparentemente naquele tempo desde o ante projecto ate á apresentação da maquete levava-se uma ano uma vez que o documento anterior esta datado de 1959. Quero referir aqui o que salta aos olhos quando vimos estes documentos e a maquete do projecto Miraflores Lux, a densidade populacional era muito menor e as areas verdes mais numerosas do que actualmente (estamos a falar da área desde a rotunda da praça de Algés até Linda a Velha e pela área que esta ainda por construir junto ao antigo bairro dos Húngaros e acima da ribeira de Algés junto a Miraflores).
para finalizar este artigo (que estará aberto a alterações) deixo aqui as fotografias da brochura de apresentação dos apartamentos Miraflores Lux quando do inicio da venda com data aparentemente de 1973 (a venda terá tido inicio em meados de 1971)
material gentilmente cedido pelo nosso amigo Miraflorense e colaborador Nuno Picardo
Depois veio o 25 de Abril de 1974 e... tudo mudou !!!
2 escolas (que existem)
3 pólos cívico/comerciais (hoje em dia o comercio em vez de concentrado em grupos de comercio esta espalhado pela localidade, de centros cívico/culturais zero, nem uma miragem deles)
Pela analise do projecto verifica se nitidamente que estaria nos pensamentos do Sr Joaquin Peña Mechó uma luxuriante localidade, perfecionista e futurista em todos os sentidos, a relativamente baixa densidade populacional e a construção em altura, aliada a áreas verdes na mesma proporção da área construída, iria criar uma extensão natural da floresta de Monsanto, uma mistura de ar do campo com ar do mar, todos os dias renovada por milhares de árvores.
é triste saber que o que se pensava para Miraflores era isto e o que temos é algo completamente diferente.
Temos hoje em dia uma densidade populacional desmedida e com projectos aprovados (que irão aumentar em muito esses números), um transito caótico e uma total inesistência de equipamentos cívico/sociais, o que sustenta ainda a boa qualidade de vida e do ar em Miraflores e o que vai amparando os golpes aos consecutivos Presidentes de Junta e Câmara é que ficou ainda o cunho pessoal de Sr Joaquin Peña Mechó e Gonçalo Ribeiro Teles, e os restos de um projecto com visão futurista do que deveriam ser as cidades do futuro que ficou inacabado, interrompido abruptamente pela Abrilada de 74... o verde que sobrou e o ar que se respira são bem exemplos disso.
Temos hoje em dia uma densidade populacional desmedida e com projectos aprovados (que irão aumentar em muito esses números), um transito caótico e uma total inesistência de equipamentos cívico/sociais, o que sustenta ainda a boa qualidade de vida e do ar em Miraflores e o que vai amparando os golpes aos consecutivos Presidentes de Junta e Câmara é que ficou ainda o cunho pessoal de Sr Joaquin Peña Mechó e Gonçalo Ribeiro Teles, e os restos de um projecto com visão futurista do que deveriam ser as cidades do futuro que ficou inacabado, interrompido abruptamente pela Abrilada de 74... o verde que sobrou e o ar que se respira são bem exemplos disso.
VALE DE ALGÉS, 1959
GONÇALO RIBEIRO TELES ; FOTOGRAFIA DE MANUEL SILVEIRA RAMOS
AUTOR:
Teles, Gonçalo Ribeiro
PARTE DE:
Do Estádio Nacional ao Jardim Gulbenkian : Francisco Caldeira Cabral e a primeira geração de arquitectos paisagistas, 1940-1970 / inventário realizado por Teresa Andresen, Teresa Bettencourt da Câmara e Luís Guedes de Carvalho 2002-2003
CONTÉM:
Fig 1 Reprodução de: Planta de zonamento, s.d. 1:2000; 0,75 x 0,99 cm; suporte vegetal. CFT169.542
Fig 2 Reprodução de: Planta de zonamento, s.d. 1:2000; 1,34 x 1,00 cm; suporte vegetal. CFT169.543
ASSUNTO:
Vale de Algés (Oeiras, Portugal) -- Valorização paisagística -- 1959
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| fig 1 - na figura Linhas verticais » pólo escolar, linhas horizontais » pólos Cívico/comerciais, área a branco assinaladas com letras » área habitacional, ponteado » área verde |
Queria deixar aqui também referencia á exposição de lançamento do projecto Miraflores Lux em 1960, aparentemente naquele tempo desde o ante projecto ate á apresentação da maquete levava-se uma ano uma vez que o documento anterior esta datado de 1959. Quero referir aqui o que salta aos olhos quando vimos estes documentos e a maquete do projecto Miraflores Lux, a densidade populacional era muito menor e as areas verdes mais numerosas do que actualmente (estamos a falar da área desde a rotunda da praça de Algés até Linda a Velha e pela área que esta ainda por construir junto ao antigo bairro dos Húngaros e acima da ribeira de Algés junto a Miraflores).
Deixo vos então com a reportagem da exposição de lançamento do projecto e com a maquete do mesmo
para finalizar este artigo (que estará aberto a alterações) deixo aqui as fotografias da brochura de apresentação dos apartamentos Miraflores Lux quando do inicio da venda com data aparentemente de 1973 (a venda terá tido inicio em meados de 1971)
material gentilmente cedido pelo nosso amigo Miraflorense e colaborador Nuno Picardo
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| de notar nesta foto a piscina de Miraflores em fase de construção em 1973 |
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| note-se claramente nesta fotografia da altura a fase de construção de Miraflores Lux com varios edificios em acabamento |
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| de notar nesta foto publicitaria as obras no interior do restaurante e nos arredores da piscina, tiramos assim a conclusão de que primeiro se construiu a piscina e só depois as áreas de apoio |
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| Edificios Tulipas junto ao Shopping Miraflores que na altura não existia senão em projecto |
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| Edificios Compave em 1973 |
Depois veio o 25 de Abril de 1974 e... tudo mudou !!!
segunda-feira, 12 de março de 2012
Manuel Maria da Costa Veiga pioneiro do cinema Português
Costa Veiga ajudou Edwin Rousby na primeira exibição em Portugal de imagens em movimento, que decorreu no Real Coliseu da Rua da Palma (hoje desaparecido, para dar lugar a caixotes pós-modernos); sessão essa que teve na assistência o Infante D. Afonso, irmão do Rei D. Carlos I, o que revela o empenho da Casa Real nas novidades científicas e artísticas que estavam a surgir, na Europa, na sequência da primeira apresentação pública — em Paris, a 28 de Dezembro de 1895 — de imagens captadas, reveladas e projectadas pelos irmãos Lumière, com a sua maravilhosa máquina Cinématographe.
A referida estreia lisboeta aconteceu em Junho de 1896 e nela foram projectadas fitas rodadas à volta do Mundo por operadores do pioneiro londrino Robert-William Paul. Foi um sucesso público, esta iniciativa do misterioso exibidor itinerante (húngaro ou americano, ninguém sabe) Edwin Rousby, «o electricista de Budapeste». Este, em Setembro, propicia nova sessão pública em Lisboa, agora com películas já filmadas no nosso País, pelo operador Harry Short, que Paul mandara para o sul da Europa à caça de imagens. A Cinemateca Portuguesa possui dois destes filmes: A Boca do Inferno e A Praia de Algés na Ocasião dos Banhos. Em Janeiro de 1897, Rousby parte definitivamente de Portugal, mas deixa em Lisboa a semente da cinefilia.
Depois deste flashback, para enquadramento histórico da aparição do Cinema («Animatógrafo», nas palavras de então) em Lisboa, vamos ao nosso pioneiro: Costa Veiga, após várias tentativas falhadas nesse sentido, conseguiu estabelecer-se como exibidor, inaugurando o Éden Concerto, aos Restauradores, e a Esplanada D. Luiz Filipe, em Cascais. Não tardou, no entanto, a dar o salto para a produção de filmes. Assim, aproveitando a estada sazonal do Rei D. Carlos em Cascais, no Verão de 1899, filma a Pessoa Real na praia, capta mais algumas vistas da então famosa estância balnear, e, finalmente, apresenta a sua primeira película:Aspectos da Praia de Cascais.
Foi o início de uma carreira de grande actividade como documentarista (palavra e conceito inexistentes à época, mas é disso que se trata), que atravessará toda a primeira década do século XX, registando os principais acontecimentos sociais e políticos, com a sua câmara inglesa Urban.
As vindas a Portugal de Chefes de Estado, e outras altas figuras, não lhe escaparam; e, temos, assim, a Série — interessante e fundamental para a compreensão da História da Europa — «Visitas a Lisboa»: Eduardo VII (1903), Afonso XIII (1903),Duques de Connaught (1903) Imperador da Alemanha Guilherme II (1905), Presidente de França Émile Loubet (1905), Rei de Saxe(1908).
Por este motivo, ficou conhecido por «Cineasta dos Reis», em oposição jocosa ao seu contemporâneo Aurélio da Paz dos Reis, «o Reis Cineasta», do Porto — primeiro português a dar à manivela uma câmara de filmar; e, revolucionário republicano, por sinal… Deste, falaremos noutro dia.
Entretanto, Costa Veiga fundou uma empresa produtora de Cinema — Portugal Filme —, continuando ainda a sua actividade profissional nos ramos da exibição e distribuição de fitas. Descobriu também, para o Cinema Português, Artur Costa de Macedo, que viria a ser um dos nossos melhores directores de fotografia, decisivo na Época de Ouro do Cinema Português (décadas de 1930 e 1940), e que trabalhava antes na garagem Auto-Palace, ao Rato.
Num tempo muito anterior ao advento da Televisão, era através do Cinema que os Estados comunicavam com os seus cidadãos e passavam para o exterior as imagens do País. Neste contexto, os filmes de Costa Veiga fizeram parte de uma grande e última ofensiva diplomática da Monarquia Portuguesa. A já referida Série «Visitas a Lisboa» foi distribuída por toda a Europa, com o apoio do Rei D. Carlos, mostrando Lisboa, como capital cosmopolita, acolhendo as principais figuras políticas do Mundo.
Note-se que os filmes, embora numa fase embrionária da Sétima Arte — em formato de curtas-metragens, a preto-e-branco, mudos —, eram um negócio rentável; e, Costa Veiga pôde enriquecer com a produção, distribuição e exibição de fitas, despertando, desta maneira, o apetite de muitos outros para esta indústria, os quais não tardaram a aparecer, em força, em Lisboa.
Sendo Costa Veiga «O Cineasta dos Reis», de facto, pode também dizer-se que a sua carreira sofre um grande abalo com o horrível Regicídio de 1 de Fevereiro de 1908 no Terreiro do Paço. Temos assim — simbolicamente — como uma das últimas obras do realizador: Os Funerais de S. M. El-Rei D. Carlos I e do Príncipe Real D. Luiz Filipe (1908).
Agora, depois de já passados cem anos sobre o cobarde crime do Terreiro do Paço, não será a hora de se desenterrarem e exibirem os filmes do pioneiro lisboeta de Algés — do Cinema Nacional — Manuel Maria da Costa Veiga?
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| Fotograma do filme A Praia de Algés por Ocasião dos Banhos, de Henry Short (1896) |
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