domingo, 15 de abril de 2012

Revista Gente, No. 23, Abril 16-22 1974

Curiosa reportagem que mostra as festas que se faziam no Clube Miraflores antes do 25 de Abril de 1974 das quais bem me lembro, tenho boas recordações das sardinhadas nos santos populares á beira da piscina, dos fins do ano passados em comum com todos os vizinhos, viviam-se tempos em que todos éramos como uma grande família Miraflorense, muitos dos habitantes iniciais da localidade terão concerteza algumas fotos destas festas nos seus álbuns famíliares.
De notar que esta reportagem saiu na edição referente á semana 16/22 Abril de 1974, apenas uns dias antes da revolução que tudo mudou em Portugal.








terça-feira, 10 de abril de 2012

Fotomontagem Algés/Miraflores



Plano Director Municipal para o Vale de Algés





Partilho hoje convosco o PDM (Plano Director Municipal) em vigor para o Vale de Algés do qual realcei alguns detalhes que me parecem importantes para todos os residentes (e não só). Este PDM é o que se encontra disponível aos cidadãos no sitio da Câmara Municipal de Oeiras e como podem verificar encontra-se muito desactualizado









Apresentamos primeiro a publicação do Plano Director Municipal para o Vale de Algés no Diário da Republica







Plano Director Municipal para o Vale de Algés

neste detalhe vemos o que se encontra no P.D.M. relativamente á urbanização Parque dos Cisnes junto á CRIL 

O que se encontra projectado será mais ou menos o que esta no P.D.M. como podem ver pelas imagens abaixo













Esta área situada entre a saída da CRIL para Miraflores e a autoestrada será o local onde será edificada a Torre de Monsanto II (projecto aprovado), como vêm esta muito desactualizado encontrando-se ainda o antigo laboratório hoje demolido





como curiosidade apresento este detalhe da Quinta de Santo António original,  quanto a mim nunca lhe deviam ter retirado a sua imponência

Detalhe do Alto de Algés

Detalhe Miraflores centro


O Plano Director Municipal para o Vale de Algés esteve em discussão durante o ano passado e esta em fase de revisão, ainda não conseguiu encontrar as alterações previstas na internet pelo que mal que tenhamos acesso ao mesmo será publicados aqui

Arqueólogos subaquáticos encontram vestígios de naufrágios Fronteira entre Cascais e Oeiras



Vestígios de naufrágios internacionais e não só. Do Cabo da Roca a São Julião da Barra, de Cascais a Oeiras, há segredos guardados no fundo do mar ou do Tejo. É este o objecto de trabalho de investigadores e mergulhadores que passaram meio ano a fazer um levantamento sub-aquático. É o princípio da carta arqueológica subquática de Cascais e estão identificados vestígios de que serão de vários os barcos naufragados desde o século XVI. Há pelo menos um de origem grega, dois brasileiros e vários de outros países


Um mar repleto de histórias e… naufrágios


“Portugal possui um dos maiores patrimónios náuticos e arqueológicos subaquáticos a nível mundial, um legado de grande importância e com enorme potencial de estudo.” A sinopse do livro “Pesca de Naufrágios”, de João Pedro Vaz, é esclarecedora. A extensa costa nacional carrega uma imensidão de história nas profundezas do mar.. Foram muitos os barcos e as vidas que se perderam nas águas portuguesas.



O primeiro registo de naufrágios no país data de 966. Segundo relatos históricos, uma frota viking de 28 navios que atacava a então chamada Ribeira de Silves foi afundada por galés muçulmanas andaluzes. Um indício daquele naufrágio foi obtido em 1970, durante a dragagem do porto comercial de Portimão – dois navios naufragados foram descobertos na foz do Rio Arade, um dos quais presumivelmente viking por possuir um casco de tabuado trincado. Outro naufrágio de que há memória data de 1337. O desprezo que o rei Afonso XI de Castela tinha pela mulher, a infanta D. Maria, filha do rei D. Afonso IV de Portugal, levou este a entrar em guerra com Castela. A frota portuguesa largou de Lisboa com 20 galés com o objectivo de assolar as costas da Andaluzia. Na mesma altura saiu de Sevilha a frota castelhana, com 30 galés. O encontro deu-se um pouco a norte do cabo de São Vicente, tendo os castelhanos saído a ganhar.

A partir do século XV, na Era dos Descobrimentos, os europeus, sobretudo os portugueses e os espanhóis, aventuraram-se sem receio nos oceanos Pacífico, Índico e Atlântico. Os relatos de naufrágios aumentam a olhos vistos…

Nau Nossa Senhora dos Mártires, em 1606. Partiu de Lisboa com destino a Goa em Março de 1605. No regresso chegou à barra do Tejo carregada de pimenta. Apanhada por um temporal, acabou por naufragar junto ao Forte de São Julião da Barra. Em 1997 começou a intervenção arqueológica subaquática na barra do Tejo, constatando-se a boa preservação de uma parte da carga, nomeadamente uma grande quantidade de grãos de pimenta. O espólio deu o mote ao Pavilhão de Portugal durante a Expo 98, tendo sido exposto e publicado em catálogo.




Nau Nossa Senhora da Conceição, em 1621. Vinha repleta de mercadorias da Índia mas, algures entre o Cabo da Roca e Peniche, foi tomada de assalto por 17 navios de piratas argelinos e afundou-se após ser bombardeada. O local do afundamento continua a ser um mistério, tendo até agora sido recuperado somente um canhão de bronze, encontrado perto da Ericeira.

Nau Santa Catarina de Ribamar, em 1635. Partiu de Goa em Março de 1635 e naufragou na madrugada do dia 2 de Novembro perto do Cabo da Roca. Reza a lenda que existia no século XVIII uma senhora que sabia onde ir buscar moedas de ouro numa praia da zona.


Arqueólogos subaquáticos encontram vestígios de naufrágios
Fronteira entre Cascais e Oeiras 'esconde' informação histórica
Março 2012



Vestígios podem pertencer a embarcações do século XVIII (Foto: Câmara Municipal de Cascais)Um grupo arqueólogos encontrou vestígios de naufrágios que poderão pertencer a embarcações do século XVIII no fundo do mar ao largo de São Julião da Barra, localizado na fronteira entre Cascais e Oeiras.

O mistério do fundo do mar entre a Guia (Cascais) e São Julião da Barra (Oeiras) começou já a ser desvendado por um grupo de especialistas que, desde há cerca de um ano, se dedica à arqueologia subaquática.

Suspeitando de que este sítio à entrada do Tejo é um arquivo escondido de informação histórica, António Fialho, do departamento de Património e Museus Municipais da Câmara Municipal de Cascais, José Bettencourt e Jorge Freire, do Centro de História de Além-Mar da Universidade Nova, iniciaram uma campanha para recolher todo o tipo de informação histórica.

“Havia evidências significativas e portanto decidimos explorar e confirmámos que há um potencial enorme ainda a explorar”, afirmou à Agência Lusa o coordenador científico da campanha, José Bettencourt, à margem da apresentação dos primeiros resultados do projecto que ontem se realizou no Museu do Mar, em Cascais.

Terminados os primeiros cinco meses de investigação, já foram recuperados vários materiais, entre os quais“uns que poderão estar relacionados com barcos naufragados do século XVIII”, adianta o responsável.

Além disso, a equipa de seis mergulhadores conseguiu apurar cerca de 30 vestígios de naufrágios e mais de uma centena de 'cachopos'.

O objectivo da investigação, intitulada de ‘Carta Arqueológica Subaquática’, é fazer o levantamento “gráfico, fotográfico e georreferenciado de pormenor dos vestígios visíveis mais relevantes”.

Os especialistas, que já contam com cerca de 60 mergulhos, prometem continuar a investigação e explorar outros pontos ainda desconhecidos que indicam outras possíveis revelações históricas.

retirado de artigo do sitio http://www.cienciahoje.pt/



domingo, 8 de abril de 2012

A Reabilitação urbana da Praça de Algés

REABILITAÇÃO URBANA DA PRAÇA D. MANUEL I EM ALGÉS






2.300 veículos poderão vir a estacionar numa das mais interessantes "entradas" de Lisboa, associando-se essa utilidade pública a uma nova e agradável configuração urbana e arquitectónica. Vai ser assim na Praça D.Manuel I, mais conhecida por Praça de Algés, que reencontrará a dignificação do nome do "Venturoso" rei. Em conjunto com a área comercial de Algés e a área cultural dos Jerónimos, serão três identidades urbanas de futuro inter-relacionadas. Aconteceu no Terreiro do Paço, aconteceu no Martim Moniz e acontecerá na Praça D.Manuel I, em Pedrouços, porque as "cidades fazem-se com decisões positivamente comprometidas", e de planeamento constante. A situação de "entrada" na cidade de Lisboa, a localização do importante e nevrálgico interface de transportes públicos, onde se cruzam autocarros e eléctricos da Carris, carreiras sub-urbanas, e linha de comboio, que provocam grande afluência de pes- soas, potencia o desenvolvimento de estruturas de apoio, de estacionamento, comércio e serviços, que resolverão o problema da reabilitação urbanística, associando-se a Câmara Municipal à Empresa Municipal de Estacionamentos de Lisboa (EMEL), para esse efeito.




O limite do Concelho de Lisboa - na zona de Algés/Pedrouços - passa sensívelmente pelo diâmetro aproximado da Praça D. Manuel I, a qual apresenta problemas urbanos resultantes exactamente do facto de ser "fronteira" entre os dois concelhos, de Lisboa e de Oeiras, acrescida a situação de aí se vir a implantar, num futuro que esperamos próximo, o importante "nó de ligação" à Circular Regional Interna de Lisboa (CRIL). A implantação deste nó de ligação poderá constituir um elemento de grande impacto físico, que agrave a imagem e a vivência do local, se não se tiver em consideração a integração harmoniosa no conjunto do futuro espaço público.

A "fronteira" foi assim, "construindo" uma Praça dividida em duas áreas de composição: do lado de Oeiras, encontramos um espaço exterior público mais ou menos tratado e animado, mas isolado do contexto; do lado de Lisboa o cenário da herança dos quarteirões incompletos,que têm frente para a Rua Damião de Góis, mostrando as traseiras de edifícios de habitação; os terrenos vagos de geometria imperceptível deram lugar a espaços de estacionamento de superfície, que naturalmente não conformam o espaço arquitectónico. A importante Avenida Vasco da Gama, que aí desemboca, sendo um elemento urbano hierarquicamente superior, carece de "marcação" urbanística, que só o reordenamento da praça lhe poderá vir a conferir.




Em Oeiras "entra-se", de Lisboa "sai-se"; a vice-versa vai acontecer em breve. A base do programa de intervenção é a construção de silos de estacionamento dissuasores da entrada de veículos na cidade. Estas construções, pela sua arquitectura, constituirão por um lado o remate dos quarteirões, e por outro revelar-se-ão como elementos significantes, quer pela sua função específica, quer como conformadores do espaço urbano, com uma linguagem arquitectónica contemporânea. A sua construção, é compatível com a implantação do nó da CRIL, e cumpre o programa determinado pelo Departamento de Tráfego da Câmara Municipal.

Mas a operação, integra também espaços destinados a comércio e serviços. Estas três actividades associadas - estacionamento, comércio e serviços - são complementares, sendo cada uma delas valorizadora das outras duas, e as três em conjunto valorizadoras de todo o espaço envolvente. Integrados na composição dos espaços comerciais, ficarão os comerciantes instalados actualmente na Praça de Espanha, de acordo com o programa fornecido pelos competen- tes serviços camarários; considerou-se uma galeria de comércio ao nível térreo, com lojas autónomas em liga- ção directa com a rua, intenção que pode potenciar a requalificação daquele tipo de comércio. A proximidade aos grandes fluxos de potenciais clientes, e a anexação a futuros grandes espaços de estacionamento, são factores positivos a favor desta intenção. Considerou-se ainda a possibilidade de ocupação do terreno marginal da Avenida da Índia, com uma estação de serviço ou com um edifício de serviços. O espaço de estacionamento, para além da sua participação no "triângulo" anterior, é um parque dissuasor; com tarifas diárias de baixo valor, deverá constituir alternativa atractiva para quem se desloque em viatura particular para Lisboa. Todos os edifícios se implantarão em terreno municipal disponível, e o sucesso da sua construção alicerça-se no movimento diário de pessoas que utilizam todo o interface de transportes, acrescido pela acessibilidade melhorada pela CRIL e pela facilidade de estacionamento que os próprios silos proporcionarão.

Duas plantas em subsolo, com a área de 19000m2 e a capacidade para 1500 automóveis, e quatro pisos em altura com capacidade para mais 800, substituirão os escassos 554 lugares actuais, ao ar livre, contados no Concelho de Lisboa.
Uma ponte pedonal sobre a Avenida Vasco da Gama ligará as duas estruturas edificadas.

A operação considera a edificação das "Novas Portas de Lisboa em Algés", em ligação directa com o espaço de estacionamento subterrâneo, edifício ponte de fruição comercial, que estabelecerá a desejada ligação da cidade com a zona ribeirinha.
No centro da Praça D. Manuel I é implantado um edifício de apoio ao interface de transportes, onde se faz a ligação directa de peões aos pisos de estacionamento em cave.



Faz-se o aproveitamento das coberturas dos silos-auto como miradouros sobre todo o espaço da Praça e sobre o Rio. A tomada de vistas privilegiada é rentabilizada pela implantação de três unidades de restauração de qualidade elevada. Apesar da circulação estar garantida a todos os pontos da cobertura, cada restaurante tem um espaço de extensão de esplanada frente à respectiva galeria envidraçada, virada a Sul, à Praça e ao Rio.

O "desassossego" do desenho da praça existente, originou uma geo metria coerente e simples, necessária às caracteristicas dos edifícios que se revelarão sobretudo pela sua essencia formal e funcional. Serão os primeiros edifícios com estas caracteristicas a ser construidos em Lisboa.
A composição dos alçados, e o tratamento das superfícies, evidenciam - enquanto ícone de entrada na Cidade de Lisboa - o desenho da bandeira, símbolo da cidade capital.



* Arquitecto, co-autor do projecto com Pedro Serra Vaz

Retirado de Boletim Lisboa Urbanismo - Ano 1999

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Menções a Algés na Literatura Portuguesa III

Trago hoje mais uma obra que nos trás uma boa descrição da importância das raízes religiosas da vila de Algés e das localidades circundantes, deixo-vos então com o "Mappa de Portugal antigo e moderno, Volume 3" de 1818 da autoria de João Bautista de Castro



que nos relata nas paginas 272 e 273 o numero de habitantes da região que seria na altura de 300 almas e os Conventos e Ermidas que existiam estamos a falar de 1818 e de realçar um dado que nos menciona novamente a torre velha de Algés (já referenciada em mais dois documentos da altura) edifício que se desconhece a localização exacta nos nosso dias.
 De realçar também a referencia á existência de uma Ermida no lugar de Outurela facto que desconhecia.


terça-feira, 3 de abril de 2012

Navios encalhados na praia de Algés

Trago hoje estas noticias referentes a dois navios encalhados na praia de Algés,
o NRP «Afonso de Albuquerque» e o vapor "Alferrarede"



NRP «Afonso de Albuquerque» 
encalhado na praia de Algés depois de ter sido atingido
 pelas peças do forte do Alto do Duque

NRP «Afonso de Albuquerque» encalhado na praia de Algés


No verão de 1936 membros da ORA (  Organização Revolucionária
da Armada, ramo do Partido Comunista)  gizaram um plano de se sublevarem em três
unidades então fundeadas no Tejo, o "Afonso de Albuquerque", o "Bartolomeu
Dias" e o contratorpedeiro "Dão", dominarem a oficialidade e saírem da barra
para lutar ao lado da esquadra republicana espanhola.
O plano começou a concretizar-se na noite de 8 para 9 de Setembro desse ano.
Os revoltosos não conseguiram o controlo do "Bartolomeu Dias". O oficial de
serviço não aderiu à sublevação e, com o auxílio de vários tripulantes,
sabotou as máquinas e as caldeiras. Os implicados na rebelião passaram então
para o "Afonso de Albuquerque".
Esta unidade e o "Dão" levantaram ferro, na manhã seguinte, em direcção à
barra. Avisado do ocorrido, o Presidente do Conselho, então em férias no
Vimieiro, sua terra natal, perto de Santa Comba Dão, ordena que baterias de
costa abram fogo sobre os revoltosos.
Assim aconteceu. Granadas disparadas desde os fortes de Almada e do Alto do
Duque seriamente danificaram os dois navios e obrigaram o "Dão" a encalhar
perto da Trafaria e o "Afonso de Albuquerque" nas vizinhanças de Algés. Pelo
fim da tarde tudo havia terminado. Dez marinheiros haviam perdido a vida e
208 foram presos e levados para o Albergue da Mitra e para o Governo Civil.
Mais tarde a maior parte destes foi condenada a duras penas, a serem
cumpridas no campo prisional do Tarrafal, em Cabo Verde.



NRP «Afonso de Albuquerque» estragos verificados no navio







Marinheiros da Organização Revolucionária da Armada são conduzidos, sobre escolta, para o Campo de Concentração do Tarrafal, em Outubro de 1936, por terem participado na revolta dos navios de guerra Bartolomeu Dias e Afonso de Albuquerque. Fotografia do Arquivo da Direcção-Geral de Comunicação Social.



o vapor "Alferrarede" encalhado em Algés



Um outro sinistro, desta feita a 15 de Dezembro de 1958 com o vapor "Alferrarede" A seguir o relato dessa ocorrência:



Notícia do temporal que se abateu sobre Lisboa

No Tejo, o temporal de ontem fez recordar o ciclone que, há quinze anos, afundou barcos, pôs outras embarcações em perigo e roubou a vida a alguns marítimos. As tripulações dos navios fundeados no rio e as dos barcos atracados aos cais, passaram tormentos durante a noite. As vagas impetuosas e a velocidade do vento puseram alguns barcos em risco de se perderem. A violência da tempestade destruiu o pontão da Ribeira Nova, onde normalmente atracam os barcos para a descarga do peixe e causou prejuízos em vários pontões. Durante a noite, o mar galgou a muralha da Ribeira Nova e invadiu os barracões da lota.
Alguns navios, tais como o “Gorgulho” e o “Andulo”, bateram fortemente nas muralhas dos cais e sofreram danos dignos de registo. Vários batelões foram arrastados pela fúria da tempestade, assinalando-se danos calculados, no conjunto, em mais de mil contos. A não ser as fragatas e outras embarcações de pequena tonelagem, recolhidas nas docas, desde segunda-feira, como medida de precaução, poucos foram os barcos de maior porte que escaparam aos tremendos efeitos do temporal. Raro foi o navio que não sofreu dano.
O “Sofala” da Companhia Nacional de Navegação, garrou em S. José de Ribamar e encalhou, safando-se, no entanto, pelos seus próprios meios. A tempestade no rio, com vaga forte e alterosa, e com as águas a correrem em velocidade, fizeram garrar outros navios, entre os quais o “Alfredo da Silva” e o “Maria Amélia”, que estavam fundeados no quadro central, em frente ao Terreiro do Paço, e o “Alenquer”, que se encontrava no quadro ocidental, pertencentes à Sociedade Geral.




O encalhe do navio “Alferrarede” na noite do dia 15, foi dos mais graves, como sinistro marítimo. O navio, também da mesma empresa e que havia no Domingo arribado a S, José de Ribamar, por não poder sair a barra com destino a Bone, garrou, devido à violência do mar e foi encalhar na praia de Algés. Os serviços técnicos da Sociedade Geral, logo que tiveram conhecimento do facto, mandaram seguir para o local o rebocador “Praia da Adraga”, que fez uma tentativa para o safar, mas nada conseguiu. Também o vapor “Pedro Rodrigues”, da Corporação dos Pilotos da barra de Lisboa, procurou desencalhar o navio, mas rebentou-se um cabo, desistindo da diligência. O “Alferrarede” de que é capitão o sr. António Camarate Carrilho, ficou à vista das pessoas que passavam na estrada marginal, onde se juntou uma multidão de curiosos, apesar da chuva e do vento.
Os trabalhos preparatórios para se proceder ao desencalhe começaram pouco depois, pelos técnicos da Sociedade Geral. Cerca das 18 e 30, o rebocador “Praia da Adraga”, com a poderosa força dos seus motores, ajudado pelo rebocador “D. Luís”, da Administração-Geral do porto de Lisboa, conseguiu safar o navio, que, logo a seguir subiu o rio.
(In jornal “O Século”, de 17 de Dezembro de 1958)