terça-feira, 17 de abril de 2012

Praia de Algés 2012




Prédio em Algés da autoria de Cassiano Branco ?




É provável que este edifício situado na Av. dos Combatentes da Grande Guerra 62, em Algés, seja da autoria de Cassiano Branco. O desenho das varandas e, a envolvente do portão lateral de entrada, são portadores de semelhanças com outras obras de Cassiano.....

varandas: Hotel Victoria e Rua Nova de S. Mamede 7
pedra de revestimento: Hotel Victoria, Av. Alvares Cabral 46, Rua Fialho D`Almeida 15, Av. Defensores de Chaves 27.

as semelhanças são grandes demais para serem mera coincidência não vos parece?



Hotel Victoria Lisboa 
Juntamente com o Teatro Éden, também de Cassiano Branco esta obra poderá ser considerada uma das mais emblemáticas e originais da arquitectura portuguesa da época. De planta rectangular, este edifício de seis pisos, cave e composto por dois corpos totalmente revestidos a mármore, destaca-se pelos alçados rasgados por cinco janelas de vão rectangular em cada um dos pisos, com mainel em forma cilíndrica, cujas varandas possuem frisos metálicos.
Em 1934 a empresa “Freire e Matos, Lda.” pedem autorização para construir no seu terreno um edifício de seis pisos, destinado a hotel, em substituição de um outro já aprovado para aluguer de apartamentos, segundo projecto do arquitecto Cassiano Viriato Branco Iniciada a construção em 1934, o “Victoria Hotel” situado na Avenida da Liberdade, em Lisboa, era inaugurado a 1 de Julho de 1936. A fachada de aproximadamente 16,50 metros, permitia um apartamento por piso, solução que facilitou a reconversão em unidade hoteleira com grande facilidade e rapidez.







Rua Nova de S. Mamede, 7 - 1937








Av. Alvares Cabral, 46 - 1936




 Rua Fialho D`Almeida 15


segunda-feira, 16 de abril de 2012

Algés no Azulejo "A Grande Vista de Lisboa" do ano de 1700



Na sala de exposição do terceiro piso do Museu Nacional do Azulejo, pode-se observar uma das peças mais notáveis à guarda deste Museu: A Grande Vista de Lisboa, cujo tema é a representação da cidade antes do trágico sismo de 1755.

O painel pertenceu ao Palácio dos Condes de Tentúgal, situado no largo de Santiago em Lisboa. A encomenda e a contextualização em que foi produzida, ainda hoje, permanece pouco clara, embora alguns avanços tenham sido dados, nos últimos anos, pelo especialista em estudos de azulejaria José Meco, que a atribuiu ao pintor de azulejos Gabriel del Barco (1649-c. 1703) e a datou de cerca de 1700.

No contexto da azulejaria portuguesa, estamos perante um exemplar único, pela apresentação de Lisboa desde o sítio de Algés até Xabregas numa narrativa citadina completa, incluindo fortes, palácios, quintas, igrejas, conventos, mercados, fontes, moinhos de água e alguns símbolos cristãos como as cruzes. O movimento da Lisboa do século XVIII foi também registado em traços apressados, através dos quais surgem pequenas figuras humanas ocupadas com os afazeres quotidianos. Saliente-se ainda a graduação da perspectiva, que elege como zona principal o Terreiro do Paço, verdadeiro palco de todas as festividades ocorridas na Lisboa Barroca, para se ir esbatendo na representação das quintas e conventos dos arredores.

Para completar esta breve referência à história do painel, resta enfatizar que a sua importância reside também, no facto, de ter permanecido num estado praticamente completo até aos nossos dias mantendo-se como um dos mais importantes documentos iconográficos para os Estudos da Olisipografia.

Neste azulejo há duas referencias à região de Algés pelo que passamos a partilha-los



 Na enorme panorâmica com cerca de 115 x 2247 cm, aparece um trecho marginal do Tejo entre a foz do Jamor e os morros de Ribamar, que corresponde à zona entre a Cruz Quebrada, Dafundo e Algés. Vê se claramente no lado direito do painel a ponte sobre a ria e o Forte da Conceição, que foi colocado na margem errada.

Imagem: Convento de S. José de Ribamar e Ponte de Algés.
Referência bibliográfica: Lisbonne avant le Tremblement de terre. Le panneau (1700-1725) du musée de l' Azulejo, Inst. Português de Museus, Câmara Municipal de Lisboa,Ed. Chandeigne, 2004



Convento de Santa Catarina-a-Velha, na Cruz Quebrada e forte da Cruz Quebrada (já desaparecidos). Painel de azulejos sobre a "Grande Vista de Lisboa", existente no Museu do Azulejo em Lisboa, executado entre 1700 e 1725


"No reinado de D. João V, no de D. José ou mesmo no de D.Maria I, os vultos mais destacados da música (erudita ou sacra) portuguesa, frutificaram no seu trabalho "à sombra" das sés, das capelas ou das abadias existentes por esse país fora".

D. Giovanni Giorgio natural de Veneza, foi contratado por D. João V em 1729 para dirigir a escola de canto religioso no Convento de Santa Catarina de Ribamar.

"...É autor de vários livros de solfejo, tendo composto ainda numerosos trabalhos de música sacra.(...). Admite-se que a data da morte deste compositor se situe por volta de 1761. Deixou mais de três centenas de composições". (Matos, Manuel Cadafaz de, A música em Portugal no tempo de D. José in Revista História, nº 53, Março de 1983, pp 71 e 73)

baseado num artigo de http://oeirascomhistoria.blogspot.pt

Pensamentos de Mário de Sampayo Ribeiro






"Só sei que estas coisas do espírito proporcionam maior gozo e dão mais proveito que...saber guiar automóveis ou andar em dia com o campeonato de jogo da bola em qualquer ilha da Micronésia...
E ... nesta altura estou crente que já não me chamam descarado e que terão pelo menos curiosidade de ouvir alguma coisa àcêrca da história da Algés."

"Devo confessar que o meu espírito se compraz doidamente na evocação do passado do qual tem saudades cada vez maiores"

"As coisas velhas houve tempos em que foram novas
As coisas mortas já tiveram vida, já tiveram a sua época e por vezes até a sua auréola"




Mário de Sampayo Ribeiro 1938

domingo, 15 de abril de 2012

Menções a Algés na Literatura Portuguesa IV


"Os primeiros trabalhos litterarios"
padre Francisco da Silva Figueira







Trago-vos hoje uma obra extraordinária na sua descrição do que era então a Freguesia de Carnaxide, na qual estava integrada a área de Algés/Miraflores, "OS PRIMEIROS TRABALHOS LITTERARIOS"  do padre Francisco da Silva Figueira prior da Freguesia de Carnaxide 1865. O seu nivel descritivo, vai até ao detalhe e integra assuntos que vão desde a topografia, aos animais que existiam na região. Estamos pois perante mais uma obra de incrível rigor histórico e de enorme valor para a nossa localidade, a Freguesia de Algés e de todas as localidades vizinhas.
Iniciei o estudo desta obra retirando as partes referentes a Algés, mas que fui mergulhando nos maravilhosos relatos do padre Francisco Figueira sobre a região, (uma vez que a localidade de Miraflores se enquadra num perfil mais amplo do o das suas barreiras territoriais) achei por bem partilhar uma boa parte da obra seleccionando as partes que achei de maior relevo para a historia de Miraflores/Algés. Quem quiser consultar esta deslumbrante obra na sua totalidade basta que me solicite por email, que receberá uma copia em PDF gratuita como oferta da Gazeta para os seus leitores.
Deixo-vos então com a obra em questão :



Capa da obra do padre Francisco da Silva Figueira


parte da nota introdutória do sr José Silvestre Ribeiro














Nas paginas 21 e 36 encontramos a descrição do terremoto de 1755 e seus efeitos na area de Algés e na região circundante

A partir do final da pagina 44 encontramos a descrição das praias da Freguesia que curiosamente é mencionada como uma localidade separada de Algés ou Cruz-Quebrada, facto que me faz inclinar ainda mais para a questão de que Algés nunca foi uma Vila virada para o mar e esteve desde sempre localizada no interior.
 A partir da pagina 46 (e seguintes) temos uma muito interessante descrição geral das localidades da Freguesia da qual apenas retiramos a parte referente a Carnaxide por ser muito extensa.







a obra finaliza com um excelente conjunto de informação, algo que para um investigador particular como eu é uma descoberta fantástica, tabelas com nº de habitantes, óbitos, nascimentos, casamentos e profissões por localidades, reunidas de forma inteligente e clara. É com dados concretos como estes que se fundamentam teorias consistentes






Para finalizar deixo aqui tambem uma curiosa tabela com as estradas existentes na região


Revista Gente, No. 23, Abril 16-22 1974

Curiosa reportagem que mostra as festas que se faziam no Clube Miraflores antes do 25 de Abril de 1974 das quais bem me lembro, tenho boas recordações das sardinhadas nos santos populares á beira da piscina, dos fins do ano passados em comum com todos os vizinhos, viviam-se tempos em que todos éramos como uma grande família Miraflorense, muitos dos habitantes iniciais da localidade terão concerteza algumas fotos destas festas nos seus álbuns famíliares.
De notar que esta reportagem saiu na edição referente á semana 16/22 Abril de 1974, apenas uns dias antes da revolução que tudo mudou em Portugal.