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| Menino em zona de inundação perto de Lisboa 1967. Life Photo Archive |
Na noite de 25 para 26 de Novembro de 1967, Em pouco mais de 12 horas Algés e a região de Lisboa em geral eram atingidas por fortes chuvas, que viriam a originar uma das maiores calamidades que se abateram sobre estas áreas. A subida das águas foi de tal maneira forte e rápida, perante a praia-mar, que ribeiras e esgotos ficaram sem qualquer capacidade para as escoar. Casas, pontes e pessoas foram arrastados à passagem daquela onda destruidora. Os dados oficiais apontaram para 250 vítimas mortais. Todavia, o balanço final terá ascendido a mais de 700 mortos e ficou bem vivo na memória das populações fustigadas. de 1967.
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| moradores salvam pertences após inundação. Lisboa, Portugal, Novembro 1967 Life Photo Archive |
427 mortos indicava o Diário de Notícias a 29 de Novembro de 1967, pouco antes do governo ter imposto a cessação da contagem pública. Algumas zonas de Lisboa, Algés, Loures, Odivelas, Vila Franca de Xira e Alenquer foram transformadas em autênticos cemitérios de lama. Num ambiente de comoção geral, promoveram-se peditórios, espectáculos e subscrições visando recolher fundos de apoio aos sinistrados. A «campanha de solidariedade» contou com a participação de centenas de estudantes, muitos deles oriundos de estruturas católicas
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| Consequências das cheias na Pontinha (www.jf-pontinha.pt) |
Na imprensa, as notícias concentravam-se no júbilo perante a demonstrada «cadeia de solidariedade humana (…) sem distinção de classes», que havia significado a «vitória do homem, que a natureza tinha esmagado», como acentua o Diário da Manhã. Numa leitura distinta, o Solidariedade Estudantil apresentava estatísticas baseadas em dados do Serviço Meteorológico Nacional, mostrando que o máximo de pluviosidade havia ocorrido no Estoril, apesar das mortes terem acontecido nos bairros pobres dos arredores de Lisboa (entre eles Algés) e nas zonas pobres do Ribatejo. Também o Comércio do Funchal chamava abertamente a atenção para as causas sociais que haviam estado na base da catástrofe: «nós não diríamos: foram as cheias, foi a chuva. Talvez seja mais justo afirmar: foi a miséria, miséria que a nossa sociedade não neutralizou, quem provocou a maioria das mortes. Até na morte é triste ser-se miserável. Sobretudo quando se morre por o ser»
Como é evidente e escrevemos anteriormente, Algés sofreu directamente o impacto deste cataclismo, e a baixa de Algés foi devastada por uma torrente de lamas, detritos e agua, tendo-se registado diversas mortes na Freguesia (na altura Freguesia de Carnaxide).
O envio das avassaladoras fotografias da Baixa de Algés que abaixo partilha mos pelo nosso leitor o sr António Santa-Bárbara sobre estas cheias nos finais do ano de 1967, fez-nos integra-las num artigo mais vasto sobre este assunto, elas merecem bem este artigo assim como a acontecimento que foi de muito relevo na localidade.
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| Junto à Ria de Algés |
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| Junto à Praça Touros de Algés |
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| Perto do Mercado de Algés |
























