quinta-feira, 3 de março de 2011

A Historiografia de Miraflores


Existem vestigios de ocupação humana na area desde a Idade do Ferro como podem ver no Jazida do Ferro de Outurela
A descoberta de materiais originários da Fenícia, indiciam o estabelecimento de relações comerciais com regiões do Mediterrâneo, facto que se prende com a posição privilegiada de Algés no estuário do Rio Tejo.

Relativamento ao período da ocupação romana, existem na Freguesia poucos vestígios, o mesmo acontecendo à época muçulmana, do qual apenas se conhecem influências na Toponímia:  Algés.

Os séculos XII e XIII correspondem ao período de fixação de ordens religiosas (conventos) e à construção de alguns fortes ao longo da orla marítima do Concelho. "Algés", passou a ser a designação para o primitivo Reguengo de Algés limitado a nascente pela Ribeira, são construídos o Mosteiro de Frades Arrábidos sobre os rochedos da Cruz Quebrada e o Convento de S. José de Ribamar em Algés, que se tornam locais muito atractivos.

No século XVII, foram instituídas com início em Paço de Arcos, carreiras de barcos, destinadas ao transporte de mercadorias. Com o objectivo de defender e controlar a passagem dos navios na entrada da Barra, construíram-se alguns fortes nomeadamente, o Forte de S. Julião da Barra, Forte das Maias, Forte do Catalazete, Forte da Giribita, Forte de S. Bruno, Forte da Conceição de Algés, Forte de S. José de Ribamar, Forte de S. Pedro, etc.
século XVI, durante o reinado do rei D. Manuel, deu-se início ao desenvolvimento de uma certa actividade agrícola, principalmente a cultura da vinha e mais tarde dos cereais, praticamente em todo o concelho.

Durante os séculos XVII e XVIII, começam a ser construídos palácios e grandes quintas de recreio, locais onde se encontravam associados os aspectos agrícola e de recreio. Estas quintas vão localizar-se junto às ribeiras, que constituem locais privilegiados para o desenvolvimento da agricultura muito produtiva e com produtos de qualidade. De facto, as áreas ribeirinhas são áreas com aptidão natural para o regadio, dada a proximidade ao recurso - água e a qualidade dos seus solos, e por esse motivo a zona de Algés Miraflores funcionou desde essa altura até há muito pouco tempo atrás, como uma das principais áreas abastecedoras de produtos alimentares para a para a população da cidade de Lisboa.

Entre o século XIX e os anos 40 do século XX, Algés assistiu a um período de grande desenvolvimento ao nível das infra-estruturas de transportes (comboio eléctrico, por exemplo) e à construção de moradias de recreio e quintas para a fruição das boas características ambientais do Concelho. Surge a moda das praias, banhos de mar, desportos náuticos, casinos, festas, etc., pelo que esta área começa a ser um ponto de atracção da população sobretudo de Lisboa mas também de outras partes do País.
Posteriormente, assiste-se ao início de um período caracterizado pela concentração das actividades económicas, ou seja do mercado de trabalho, na cidade de Lisboa, e consequente abandono da população, da capital para os novos bairros residenciais, com boa acessibilidade à capital, que entretanto foram sendo construídos nos concelhos vizinhos. Esta época, caracterizou-se pela expansão demográfica de Algés que teve como principais repercussões, um aumento na procura e consequentemente um crescimento do ritmo de construção de zonas habitacionais e respectivas áreas para equipamentos e infra-estruturas. Como resposta a este contexto socio-económico, surge o primeiro estudo urbanístico local - o Plano Urbanístico da Costa do Sol - P.U.C.S. (1948).

O ritmo a que se processou toda a expansão demográfica e consequente pressão sobre o espaço ainda disponível para construção, sobretudo nos na década de 1960-70, traduziu-se no apelo à construção massiça em detrimento da construção de equipamentos, deficientes infra-estruturas, degradação do património construído, paisagístico e ambiental. Em situações, onde a oferta de habitação não se adequa à procura, assiste-se à implantação de núcleos clandestinos ou bairros de barracas.
É nesta altura em que se inicia de facto a Historiografia de Miraflores.

A historiografia de Miraflores é uma historia ainda com imenso por contar, tenho na minha posse cartas militares de 1800 que têm já registo de varias habitações na área, e uma localidade o Bairro da Formiga (que será também alvo de um artigo brevemente), alem do referido bairro a zona do Gato preto (Alto de Algés) também já existia na altura como podem ver em varias habitações que ainda rodeiam o campo da U.D.R.ALGÉS
 Elaboramos o esqueleto do que virá a ser a historiografia da  nossa localidade, quero aproveitar para solicitar a todos os leitores a vossa colaboração na correcção de factos que estejam menos correctos e o vosso contributo para o enriquecimento do texto com novos factos, esta aqui em causa a historia recente da nossa localidade e se nada for feito muito do passado irá desaparecer sem deixar rasto.

O projecto inicia-se em 1965, sendo coordenado pelo Engº Eurico Ferreira Gonçalves com a responsabilidade das diferentes especialidades assim distribuídas:

Arquitetura: ...Prof. Arqtº Carlos Antero Ferreira
Urbanização: Arqtº António Sérgio
Arquitetura paisagistica: Arqtº Gonçalo Ribeiro Teles
Decoração: Arqtº Pimentel Lobo
Engenharia Civil: Engº José Augusto Fernandes
Engenharia de instalações: Eng. Camacho Simões


Os trabalhos de urbanização já em curso no ano de 1965 , foram confiados á firma Alves Ribeiro,Lda.
A área total do vale de Algés onde a urbanização foi construída é de 475.000m2 e previa-se a edificação de 850.000m2 para albergar 4.500 famílias das classes mais evoluídas , com um prazo previsto de duração da construção do empreendimento de 8 anos.Miraflores, realizaria na frase de Eça de Queiroz, o sonho de uma quinta com porta para o Chiado.

 
A construção da localidade iniciou-se em 1969. Na altura não havia nenhuma quinta Miraflores, mas sim um conjunto de pequenas quintas e algumas áreas de residência das pessoas que laboravam nas referidas quintas, essas localidades vêm referidas em cartas Militares pelo menos desde 1800 e ainda restam duas, a quinta da Formiga junto á entrada da CRIL para Miraflores e um ultimo reduto entre o campo do UDRA e a Av. dos Bombeiros Voluntários, zona mais conhecida pelo Gato Preto.

Miraflores começou por ser uma urbanização desenvolvida por Juan Mechó (um espanhol radicado em Portugal) no principio dos anos 60(??) Actualmente faz parte da Freguesia de Algés.
 O conceito da urbanização, baseado nos já então realizados em Espanha, nomeadamente nos bairros de Madrid, em que a urbanização era fechada sobre si, e tinha as suas infra-estruturas desportivas (no caso de Miraflores courts de ténis e piscina), bem como a novidade para a época de cada prédio ter garagem subterrânea. Os primeiros prédios ficaram prontos (o edifício Compave hoje os nºs 37 ao 43 da Av. das Tulipas os Edifícios Orquidias os três prédios junto á esquadra da PSP e o edifício da frente das Tulipas) e muitos apartamentos foram vendidos antes do 25 de Abril. No período conturbado que se seguiu, Miraflores foi considerado (no jargão da época) uma urbanização fascista, elitista, e outros termos afins. Juan Mechó chegou a ser detido no período do PREC, vários habitantes da localidade foram detidos pelo COPCON e foram levantados vários entraves ao licenciamento das obras, entre elas a não autorização da construção da garagem subterrânea no bloco de prédios da Rua Brito Pais.Durante o período do PREC, a Habitat, é intervencionada e como consequência as obras param. O Miraflores Club, torna-se refeitório dos trabalhadores das obras,e a empresa afunda-se irreversivelmente.  Estes acontecimentos levaram à paragem da construção dos restantes prédios, bem como à paragem dos trabalhos em outros, como foi o caso do edifico onde hoje está instalado o centro comercial Dolce Vita, que só foi terminado no final dos anos 90. Paralelamente, nos anos seguintes devido á descolonização selvagem varias partes da localidade foram ocupadas por emigrantes, sobretudo das ex-colónias, surgindo assim vários bairros da lata, o mais conhecido era chamado Pedreira dos Húngaros. A Pedreira dos Húngaros já existia antes da revolução era então ocupado por comunidades Ciganas aparentemente oriundas da Hungria, dai o nome do bairro, com a chegada dos emigrantes africanos em grande numero e depois de uma autentica mini guerra racial as comunidades ciganas mudaram se para a zona da Buraca deixando assim o bairro entregue aos emigrantes africanos. O senhor Joaquin Peña Mechó havia ,antes da revolução, comprado terrenos noutras zonas do concelho de Oeiras e inclusive contribuindo financeiramente para que a Câmara municipal se encarregasse da construção de bairros destinados ás famílias carenciadas, com o intuito de libertar os terrenos que lhe pertenciam, da construção clandestina. As áreas ocupadas pelos emigrantes foram a Pedreira dos Húngaros que ocupava a área acima da Quinta de Santo António (hoje em dia um parque urbano) até ao liceu de Linda a Velha, o bairro de Holywood que ocupava a área desde o actual quartel dos Bombeiros Voluntários de Algés até á área da actual rotunda do Mercado Municipal de Algés acompanhando a antiga estrada de circunvalação e o bairro (??) que ocupava a área junto ao campo de futebol da UDRA, na altura a Junta de Freguesia era a Freguesia com mais emigrantes africanos na Europa. Com a morte de Juan Mechó na segunda metade dos anos 80, a mulher (Mercedes) e a filha assumem a liderança do projecto, numa época em que a economia portuguesa entrou numa fase de crescimento, e novos investidores apostaram em finalizar a urbanização. Assim, desde os anos 90 até à data tem-se assistido a um renascimento e a um crescimento muitas vezes desmesurado e selvagem, ao que não é alheio o realojamento da população, e o consequente fim, da Pedreira dos Húngaros pela Câmara Municipal de Oeiras, libertando assim o terreno para a construção de mais fogos de habitação. Nesta altura os terrenos do antigo bairro Pedreira dos Húngaros a quinta de Santo António eram pertença do empresário Sousa Sintra.
Dada a qualidade das construções iniciais, e o facto de ser um bairro de população da média-alta classe média, muitas construções posteriores, se bem que não fazendo parte do projecto inicial, "colaram-se" ao nome Miraflores, alargando a área abrangida actualmente maior que a prevista e para além dos limites do Parque Residencial de Miraflores original.

. Após a morte de Peña Mechó, a sua mulher Pilar, em conjunto com todos os filhos Francisco, Joaquim (apenas filho de Peña Mechó) , Paloma, Mercedes, Mari, tomou conta dos destinos da Habitat, que se limitou nos anos seguintes a vender os terrenos ainda existentes de acordo com um novo plano traçado pela Câmara de Oeiras que veio alterar grandemente o projecto inicial, aumentando em muito a área residencial e Empresarial muitas vezes de forma exagerada.

2 comentários:

  1. Habitando em Linda-a-Velha desde 1960, lembro-me bem da Pedreiras dos Húngaros ocapadas por algumas famílias de ciganos e alentejanos, e era um lugar pacífico. O mal veio depois, como bem refere o texto, de tal modo que, quando chegava um abastecimento de droga, o anúncio era feito com foguetes.
    Valeria a pena não desligar a valorização da zona do caso da dita "Quinta de Santa Marta", "bairro da lata" do lado nascente da Ribeira de Algés, que começava junto à antiga praça de touros e terminava ali pelo lugar actual do edifício dos Bombeiros, mas "bairro da lata" pacífico e ordeiro, diga-se.

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  2. Anónimo.
    Recentemente, em passeio na urbanização de Miraflores,apercebi-me de duas imagens de leões no início de uma avenida, que não fixei o nome, perpendicular àquela que nos leva a Linda-a-Velha.Nas referidas estátuas se assim lhe podemos chamar constam, em ambas a seguinte inscrição: "A existência dos leões neste local foi iniciativa do empresário Joaquim Peña Mechó visando assinalar o arranque da urbanização de Miraflores em 1967 ". Vem a propósito
    o meu comantário por ter constatado outras datas sobre o início das obras no Blog " A hitoriografia de Miraflores ". Trata-se apenas de curiosidade e por sinal interessante tudo o que li sobre Miraflores uma zona que visito com assiduidade e acho muito bonita. Acresce informar que sou um amante da fotografia razão porque me interessei por pesquisar algo sobre a urbanização de Miraflores.

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