Sexta-feira, 25 de Maio de 2012

DocaPesca de Algés/Pedrouços a contestação continua activa

Há nove anos que os pescadores receberam ordem de despejo de Pedrouços e promessas de construção de um porto de pesca, mas que tarda em se concretizar.



Os profissionais questionam: então, e a pesca?, deixou de ser uma figura tradicional de Lisboa? Há nove anos que o fazem, desde que encerrou a Docapesca de Pedrouços, transferida para o Mercado Abastecedor da Região de Lisboa, já no concelho de Loures. O interesse nacional pela realização de uma prova de vela forçava-os a sair. O projecto falhou e os homens do mar e do rio por lá ficaram. A pouco mais de um mês de novo interesse público declarado por outra prova de vela, ainda lá estão. E ainda em luta.

Agarrados à vedação de arame da Administração do Porto de Lisboa (APL), sob o viaduto em Algés, à vista dos passageiros da linha férrea, as tarjas de pano pintado denunciam sinais de longa reivindicação: "Roubaram-nos o porto de pesca; secretário de Estado ignora as pescas; mais miséria; pesca e vela, vela e pesca - sim; não entendemos esta falta de respeito quando o país mais precisa." Ao fundo, agora mais um grande terrapleno, na fronteira territorial entre Lisboa e Algés, as máquinas avançam com os trabalhos, orçados em 3,9 milhões de euros, dos dez milhões anunciados pelo anterior Governo como investimento para a requalificação do espaço e a sua transformação em marina de recreio. O antigo porto de pesca é uma miragem. Boa parte dos edifícios já foi demolida.



A construção naval, a navegação, as Descobertas, são pedras basilares da tradição náutica portuguesa. E Lisboa teve o seu papel na epopeia. Mas se também a cidade portuária dela sempre fez parte, com maior ou menor dimensão do seu porto de contentores, a actividade piscatória é importante actividade económica para a capital, ou não tivesse sido, segundo dados oficiais de 2011, o segundo local em volume de descarga de pescado mais importante do país, logo depois de Matosinhos.

Como pode ser assim se não tem um porto de pesca? "Com todo o esforço e com a continuada luta dos pescadores, que há muito reclamam o que lhes é de direito. Se aqui ainda estamos [na doca de Pedrouços] é porque é nossa, nós pagámo-la com os nossos impostos. E só dela saímos quando nos derem a garantia de que teremos o porto que nos têm prometido", diz Joaquim Piló, do Sindicato Livre dos Pescadores e Profissões Afins.



É no pequeno edifício cercado por máquinas, dir-se-ia que uma ilha daquele espaço também histórico, onde se descarregava e comercializava o peixe [pela Docapesca], que o antigo pescador, na Mauritânia, do bacalhau na Terra Nova, vai ficando com aspereza na voz: "Fomos novamente recebidos pela APL para combinar a nossa saída daqui, para encostarmos numa doca em Santos, diante dos restaurantes que não nos querem lá, que não tem boas condições, sem dar garantias de segurança de embarcações e dos pertences dos pescadores e os apetrechos da pesca. Fá-lo-emos enquanto durar a prova de vela [a Volvo Ocean Race, em escala entre 31 de Maio e 10 de Junho], mas voltaremos se não responderem ao nosso caderno reivindicativo."


Jornal da Região Oeiras Abril 2012
















Quinta-feira, 24 de Maio de 2012

Os escândalos da Quinta da Formiga




Venho hoje trazer-vos um história contada pelo ilustre mestre Jaime Casimiro na sua excelente obra "Elucidário de alguma Oeiras" sobre a quinta da Formiga, aqui mesmo à entrada de Miraflores vindo da CRIL, é uma história no mínimo bizarra que fez as delicias dos diários da altura e apenas aconselhável a maiores de 18 e pessoas não impressionáveis. Pensei em reescrever as linhas do mestre Jaime Casimiro mas uma vez que iria perder toda a beleza da sua escrita optei por partilhar as duas paginas que escreveu sobre o assunto na integra.  Deixo-vos então com o artigo em questão :








A História de uma Palmeira em Algés

1886 Família Anjos (fotografia de António Lopes dos Anjos 31-10- 1886 espolio da família e retirado da obra "O Veraneio da família Anjos de Alexandra Antunes) . Na fotografia pode ver-se que as dimensões da quinta foram reduzidas quando da reconversão da alameda nos anos 20 o muro foi deslocado para a posição que ocupa hoje, a palmeira em questão teria na altura cerca de 10 a 20 anos segundo confirmação de um botânico meu amigo



jardim do Palácio Anjos em Algés 1886 - 2012
Fiz hoje uma descoberta deliciosa ao ler uma obra sobre a família Anjos primeira proprietária do palácio Anjos em Algés, ora a certo ponto na obra aparecem varias fotografias de 1886 (como era uma família rica e o patrono Polycarpo Anjos um apaixonado por fotografia o espólio é deveras impressionante para a altura) tiradas no jardim do chalet Miramar, algumas tiradas á beira de uma palmeira já na altura imponente, ora como tinha á uns dias lá passado a minha memoria fotográfica lembrou-se que por ali apenas há uma palmeira nos nossos dias, hoje confirmei pelas placas que tem mais de cem anos e data da altura da edificação do chalet Miramar, ora portanto... a palmeira que aparece nas fotografias de 1886 é a mesma que esta lá hoje...fantástico não é?









Quarta-feira, 23 de Maio de 2012

Zinia 50 anos a servir Algés


Pois é caros leitores, a Zinia de Algés fez 50 anos no passado dia 1 de Março, data que a Gazeta de Miraflores não quis deixar de assinalar uma vez que este será talvez um dos estabelecimentos mais carismáticos da Freguesia, quer pela sua inovadora postura comercial quer pela qualidade dos seus produtos. Quem em Algés não conhece os deliciosos franguinhos da Zinia, os deliciosos salgados (para mim os melhores croquetes da região) e a restante ementa de deliciosos manjares para levar para casa depois de um preenchido dia de trabalho, sempre com a mesma qualidade e sabor. 
Os meus parabéns á Zinia, que conte muitos mais anos a servir Algés.
Esta é uma casa que aconselho e recomendo vivamente, quem não conhece que não deixe de experimentar alguma das suas iguarias e de fazer uma visita.





Caso queiram ver o video sobre os 50 anos da Zinia na RTP 

"Primeira casa de pronto a comer nasceu há 50 anos"

 favor clicar AQUI


1971

2012

fotografias do sitio da Zinia no Facebook

Terça-feira, 22 de Maio de 2012

Projecto de Esplanada a construir em Pedrouços 1929



Pedrouços – topónimo que significa grande amontoado de pedras



Pedrouços, zona entre a ribeira de Algés e a avenida da Torre de Belém, foi até ao final do século XVII um local pouco povoado e, como todas as zonas periféricas da cidade de então, tinha quintas de gente nobre - entre elas avultava a dos duques de Cadaval - e algumas habitações modestíssimas.

A moda do banho de mar, vinda de outras terras, assim como a crença crescente nas qualidades terapêuticas dos banhos de mar, contribuiu para Pedrouços se tornar num local de veraneio e de divertimento. Ao facto de ter areia e água limpa juntou-se uma nova forma de sociabilizar, menos rígida. A sociedade lisboeta passou a ter o hábito de ir tomar banhos de “mar” para Pedrouços e toda a família que se quisesse destacar, demorava-se, pelo menos, dois meses. Garrett por ali chorou vários desgostos de amor, Herculano acompanhou-o, mas contrariado, Fontes Pereira de Melo e Hintze Ribeiro aproveitavam para descansar das lides governamentais.

Esta praia foi muito “elegante” entre 1840 e 1875 mas, no final do século, com a abertura da via-férrea, perdeu importância. A linha de Cascais foi inaugurada a 30 de Setembro de 1889, iniciando-se na estação de Pedrouços, aguardando pela conclusão das obras que iriam ligar ao Cais do Sodré.

Mesmo assim em 1930 ainda havia uma enorme procura daquela praia para banhos e dai o pedido de construção á C.M.Lisboa desta explendurosa esplanada naquele local, convidamos-vos a darem uma vista de olhos no referido projecto, que não foi construído na totalidade e desapareceu com a construção da DocaPesca de Algés.















Domingo, 20 de Maio de 2012

Desapareceu uma das estátuas da Rua Major Afonso Palla em Algés





A valorizar uma zona mais emblemática de Algés (Concelho de Oeiras) a rua Afonso Palla, tem um maravilhoso conjunto de 15 estátuas da autoria de António Quina, intitulado Passeios Públicos-Histórias Privadas que, pela sua beleza, traço e enquadramento merecem um cuidado maior do que o habitual, quanto à sua conservação. Oeiras tem uma das maiores concentrações de obras de arte no espaço público. Seria bom, no entanto, cuidar das que já existem.


 Construção das esculturas do passeio de Algés
video


Começa logo pelo facto de a rua Major Afonso Palla ser considerada uma área sem trânsito apenas para cargas e descargas dos vários estabelecimentos e por isso o seu acesso, pela Rua Damião de Góis é regulada por uns pilaretes amovíveis que estão sempre abertos, ou seja toda a gente utiliza aquela rua para estacionar, dar a volta etc. Um deste dias um destes condutores utilizadores de uma rua que não deveria ter transito atropelou uma estátua das 15 existentes cortou-a pelos pés. Do corpo da referida estátua não tenho noticia mas os restos sei bem onde eles andam, ainda estão no local ! ...Á meses. Atendendo ao facto de que para que se faça a devida reparação a uma obra deste tipo é deveras importante ter o máximo de pedaços da mesma, presumo então que a C.M.Oeiras tenha deitado a referida estátua para o lixo uma vez que parte da obra ainda se encontra no local como podem ver pelas fotografias abaixo.
 Apesar de considerar que aquela rua deveria ter um diferente arranjo urbanístico, gostaria que a C.M.Oeiras reparasse a obra em falta no conjunto de 15 e a colocasse de volta no local, mas provavelmente deveriam ir lá buscar os pedaços que ficaram esquecidos não vos parece??


como podem ver ficaram no local (estão lá á dois meses pelo menos) dois grandes pedaços da obra






fotografia http://escultorantonioquina.com.pt/alges.html
fotografia http://escultorantonioquina.com.pt/alges.html 

fotografia http://escultorantonioquina.com.pt/alges.html

fotografia http://escultorantonioquina.com.pt/alges.html

fotografia http://escultorantonioquina.com.pt/alges.html

fotografia http://escultorantonioquina.com.pt/alges.html

Escultura no jardim do Palácio Anjos em Algés retirada do local

Pois é meus caros amigos, mais um desaparecimento misterioso de uma peça que apesar de humilde era para mim muito agradável, não se percebe o seu desaparecimento e por esta razão quis trazer o facto até vós. Lembro-me que na altura da inauguração se fez muito alarido com esta peça, que, de facto veio embelezar aquele espaço, foi agora desmontada sem que fosse dado nenhum tipo de explicação para o facto, é deveras estranho que aqui por terras de Algés, as obras de arte de baixo custo são desmontadas enquanto que deveria ser uma pratica comum atendendo aos problemas financeiros da C.M.Oeiras, deveríamos sim estar a incentivar a arte de baixo custo em vez de a estarmos a destruir.

Antes (fotografias blogue http://oeiraslocal.blogspot.pt/



Depois, sem apelo nem agrado desmontada fica apenas a memória